O Projeto Ipês – Iniciativa Pró-Educação Solidária nasceu de um sonho de democratizar o acesso ao Ensino Superior Público de qualidade, levando a um bairro da periferia de São Paulo um cursinho popular mantido por trabalho voluntário.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Em fevereiro estamos de volta
Infelizmente esse ano não deu para ninguém entrar em uma faculdade pública, mas não vamos desistir e em fevereiro estamos de volta.
Portanto se preparem chamem os amigos e parentes, estou com os ânimos renovados para 2010.
Abraços a todos.
W.Maia
sábado, 7 de novembro de 2009
Luiza Erundina condenada!
Luiza Erundina
Salve povo, falar bem num paga conta, tem hora que é de ação.Agente tem muita saudade quando a prefeita era a Luiza Erundina, que fez pela favela o que ninguém nem ousou pensar, agora é hora de sair do discurso pra prática, quem tiver condições de dar uma força, e tiver a fim de colar, chegou a hora!Se fosse qualquer "deles" ia ser mamão pagar, e na verdade não ia chegar nem nas finais da ação judicial, mas quem faz pelo povo tem que pagar, nem que seja com sua única casa, portante leia ai o texto abaixo e veja a relado do nosso Brasil.
C O N V I T EAmigos e ex-membros do Governo Democrático e Popular de São PauloConvidam para jantar em solidariedade, a ex-Prefeita Luiza Erundina.Dia: 09 de Novembro de 2009, às 20hLocal: Grand Hotel Ca’D’OuroRua Augusta, 129 – ConsolaçãoR$ 100,00 (Contribuição mínima sugerida)(estacionamento e bebida alcoólica não estão incluídos)A Comissão Organizadora“A fidelidade a um compromisso político exige coragem e ousadia”Luiza ErundinaHistóricoA companheira Luiza Erundina está sendo executada judicialmente pela única condenação que obteve durante toda a sua vida política. Trata-se de uma Ação Popular ajuizada pelo cidadão Ângelo Gamez Nunes (processo nº 053.89.707367-9 / Controle 159/89 – 1ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo) quando Luíza era Prefeita de São Paulo, e visava obter a reposição aos cofres públicos de dinheiro utilizado pela Prefeitura com publicações jornalísticas nas quais a então Prefeita manifestou apoio à greve geral de 1989. A sentença entendeu que a matéria publicada não atendia ao interesse público e condenou pessoalmente Luiza Erundina a pagar o elevado valor de R$ 350 MIL REAIS.Trata-se de decisão definitiva em razão da qual já foram penhorados o apartamento onde mora (seu único imóvel), seu carro e ainda 10% da remuneração mensal como Deputada. Mesmo assim, seu patrimônio é inferior ao total da dívida.Como a ex-Prefeita Luiza Erundina foi alvo de enorme injustiça, com decisões que tangenciam o preconceito social, ideológico e político, é hora de nos unirmos para demonstrar nossa solidariedade.
postado no blog do Ferréz
sábado, 31 de outubro de 2009
O caso uniban
Ontem acompanhei perprexo o tulmuto causado na faculdade uniban, tumulto esse porque uma aluna segundo colegas trajava roupas inadequadas para os padrões dos mesmos (usava mini-saia). Vi e ouvi pela tv os gritos dos alunos PUTA, PUTA, PUTA colocando a colega em exposição de toda a faculdade.
Foi uma sena chocante foi inadmissícivel colegas de sala escorraçarem uma companheira de faculdade chamando-a de puta, mesmo que ela fosse puta, as putas não podem estudar! Quem garante que nessa faculdade não esta cheio de nóias, traficantes, putas, gays, pedófilos, gente com o nome no serasa e outras coisas mais. Fiquei chocado com o puritanismo dos pseudos-honestos e justos dessa faculdade. Nessa faculdade todos devem desculpas a essa moça que eu nem sei o nome e digo até mais, devem desculpas a sociedade poque afinal que jovens estamos mandando para a faculdade, que medicos, advogados, pedagogos etc vão sair formado dessa faculdade.
Os alunos da uniban e quem sabe.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
105 milhões para promover o Kassab
Buscando ampliar os espaços para propagandar sua administração e vender o seu peixe, o prefeito paulistano Gilberto Kassab pretende gastar a bagatela de RR$ 105 milhões de reais em 2010. O valor de publicidade recebeu um acréscimo de 31% sobre o previsto para 2009.
O número isoladamente pode não dizer muito, mas quando comparamos com outros gastos vê-se a falta de compromisso do prefeito com a cidade. Basta dizer que o orçamento para a construção, ampliação e reforma dos CEUs e escolas é de R$ 90,1 milhões.
Publicidade x interesse público
A escalada dos gastos com publicidade é descarada em São Paulo. No primeiro ano da administração (2008) foram de R$ 31 milhões. Subiram para R$ 80 milhões e 2009 e a previsão é de R$ 105 para 2010.
O argumento do prefeito é que os gastos com publicidade atendem a um interesse público. Segundo nota oficial de sua assessoria, a prefeitura “investe a verba de publicidade na divulgação de programas de interesse da população, com campanhas informativas, de prestação de serviços e contas”.
Onde foi parar, então, a fatia deste recurso para divulgar a eleição, por exemplo, do Conselho Municipal de Habitação? Quer campanha de maior interesse para a população do que esta? Nem uma linha nos jornais, revistas, ou em sites da internet. Ou a divulgação para as etapas municipais de importantes conferências institucionais que reúnem a sociedade para debater políticas públicas como a Conferência Nacional de Educação, de Igualdade Racial, de Juventude, das Mulheres, de Segurança Pública…… Não ficou sabendo? Pois é, a prefeitura não divulgou.
Então, onde o interesse público está sendo atendido? Talvez fosse melhor corrigir a nota da prefeitura, porque o que ocorre, de fato, é que a verba de publicidade é usada para atender o interesse da administratação de Kassab.
Postado no blog: janela sobre a palavra/ portal vermelho
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Corte na alimentação dos pequenos
Desde janeiro os horários das creches foram reduzidos com a desculpa de que a criança não permanecia o tempo integral. A prefeitura passa a gastar agora com alimentação R$2.28milhões e não R$2.85milhões. Gostaria que o prefeito e a secretaria da educação explicasse para os estômagos dos pequenos que não e nada pessoais e só números.
Meus queridos pequenos, vocês apartir de segunda se tomarem café não podem jantar e se jantar não pode no outro dia tomar café.
A redução de gastos agora chegou na alimentação das crianças matriculadas nas creches administradas pelo município, se foi feito com os pequenos imagine com as grades.
Mas eu entendo o prefeito são só números.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Desarmar e civilizar a Polícia
| Desarmar e civilizar a Polícia | | | |
| 04-Set-2009 Retirado do site: Correio da Cidadania | ||||||
| Não parece razoável trocar a vida de um ser humano – por pior que ele seja – para evitar que um automóvel seja roubado ou que um assaltante de banco escape da perseguição policial. No entanto, casos de pessoas atingidas por "balas perdidas" disparadas por policiais nesse tipo de operações acontecem diariamente nas grandes cidades.
Ao contrário do que usualmente se pensa, o uso indiscriminado de arma, longe de aumentar, reduz a eficiência da Polícia. Em vez do planejamento, da inteligência, do aprimoramento das técnicas de investigação policial, de capacitação dos policiais, é mais fácil, mais barato, menos trabalhoso – e obviamente menos eficaz - colocar um revólver na mão deles junto com a carta branca para utilizá-lo a torto e a direito.
A predominância do espírito corporativo na apuração dos casos de morte causados por balas perdidas conduz à absolvição fácil – quase automática – dos policiais envolvidos, quando muitas vezes trata-se de manifesta imprudência ou imperícia.
A certeza da impunidade só contribui para que o policial perca o sentido da importância da vida humana – mesmo tratando-se do pior criminoso. Os "esquadrões da morte" nascem dessa aberração.
Como violência chama violência, aquilo que em tempos passados era relativamente raro, tornou-se hoje corriqueiro: criminosos alvejam policiais. Em vez de procurarem uma solução civilizada e eficiente para esse problema, as autoridades públicas preferiram a solução assassina: "diante do perigo, primeiro atire, depois verifique se se trata mesmo de um criminoso".
O pior é que, atrás dessa barbaridade, há evidentemente uma forte dose de preconceito social e racial. Não é por acaso que a grande maioria das vítimas de "balas perdidas" seja de pessoas pobres: a vida de quem mora na periferia vale menos para as classes que comandam a política brasileira.
Urge encontrar um parlamentar corajoso para apresentar um projeto de lei regulamentando o uso de arma nas ocorrências policiais. Desarmar a Polícia é melhor para a própria Polícia. Pena é que ela não sabe disso.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Notas sobre a crise do capital
De lá para cá começamos a entender um pouco melhor do que se trata a crise do ponto de vista real, na medida em que começamos a sofrer os seus efeitos: retração da economia e desemprego são os dois lados de uma mesma moeda, enquanto a salvação da economia e dos trustes internacionais, com a socialização das perdas, segundo os arautos do conhecimento macroeconômico digam que isso seja a única coisa a ser feita neste momento.
Sob a égide da supremacia da economia de mercado contra a economia planificada, o neoliberalismo se instaurou mundo afora, impondo a todos nós uma nova ordem mundial, unilateral e sofismática: o capitalismo não é a melhor solução, mas é única que temos.
Com a derrocada do socialismo real, assistimos nas últimas duas décadas a uma avalanche de novas velhas idéias, impondo a lógica de mercado como a única possível e deixando ao deus mercado a regulação de toda a economia, agora em escala global. Assistimos o fim da social-democracia, do “welfare state” e também do correlato norte-americano, o “keynesianismo”.
O resultado de tudo isso foi evidentemente o enfraquecimento dos Estados nacionais, que passaram agora a serem escritos com “e” minúsculo, enquanto o nome das corporações continua a ser escrito com iniciais maiúsculas.
Os governos de cada Nação, aparentemente soberanos, muitas vezes tornam-se são presas fáceis dos grandes oligopólios internacionais, que acionam os mecanismos de pressão necessários para a manutenção do “status quo” global, sempre com a anuência das agências internacionais a serviço do grande capital, o FMI e o Banco Mundial, além de terem disseminado a plutocracia de forma praticamente irreversível, fato que pode ser comprovado pelo alto grau de corrupção dos governos em escala mundial, bem como das prostituídas relações clientelísticas que se tornaram cada vez mais comum a partir da hegemonia da economia de mercado em escala global. Para isto basta lembrar o quanto involuímos a partir do financiamento privado de campanhas políticas, modelo instalado no Brasil a partir do governo FHC.
Durante esses vinte anos, período em que o capitalismo deveria confirmar sua supremacia enquanto modelo econômico, afinal havíamos chegado ao Fim da História, aos poucos ele se revelou numa verdade totalitária, sendo imposto de forma coercitiva, portanto, bem pouco democrático, provocando um rebaixamento nos níveis de segurança social gerando instabilidade e insegurança em todas as pessoas ao redor do mundo, além de provocar, por seu excesso de pragmatismo, um rebaixamento civilizatório de magnitude difícil de ser mensurada, ameaçando, inclusive, a própria hegemonia do sistema a partir de sua superestrutura (o avião está sem piloto) !
As antigas instituições, outrora criticadas pelas tendências progressistas dos mais diversos países e que necessitavam sem sombra de dúvidas de reformulações, a Escola e a Família, instituições que representavam o modo burguês de vida, agora se sentem anacrônicas perante uma sociedade que caminha de acordo com os passos e a lógica da instabilidade absoluta e do pragmatismo que deixam de lado qualquer possibilidade de reunião que não seja para tratar exclusivamente de negócios...
Somos herdeiros da civilização greco-romana e daquelas que a sucederam e resgataram a sua importância histórica, do ponto de vista cultural e político. A base de nossa civilização ainda se encontra dentro do projeto iluminista que ousou um dia resgatar a República. Essa forma política em que podemos conceber claramente a distinção do público e do privado prevê a existência de um Estado que garanta direitos, mas que cobre de seus cidadãos também os deveres, de acordo com o contrato social estabelecido.
Assistimos infelizmente nos últimos anos um aceleramento da mitigação do papel do Estado como agente garantidor de alguns direitos básicos do cidadão, dentre eles, educação, segurança e saúde e tudo por um motivo óbvio: com a hegemonia da economia de mercado tudo o que existe passa a ser nicho de mercado, ou seja, objeto sujeito à mercantilização. Surgem novos clientes, novos contratos de cessão, diminuindo cada vez mais o papel do Estado, e também o acesso da maior parte daqueles que agora não podem pagar pela prestação do serviço.
Interessante notar que esse mesmo Estado ainda seja regido por políticos que se elegem através de pleitos regulares, financiados através do dinheiro privado, mas que assumem aparentemente com o compromisso de zelar e cuidar daquilo que é público, entretanto, obviamente jamais poderão agradar a gregos e troianos.
Quanto à família, essa só pode ser lembrada em dias festivos que fazem alguma referência a ela, mas que na verdade também não passam de datas escolhidas dentro do calendário comercial para a alvancagem de vendas, portanto, mais negócios...
A família desaparece e agora a nova moda é família nuclear, ou seja, perdem-se todos os vínculos com os parentes mais próximos e todos aqueles que agora são chamados de agregados ou mesmo um estorvo, tais como pais e avós sem renda, mas que outrora ajudavam e muito bem na criação de nossos filhos...
Sem laços familiares, os laços comunitários também desaparecem e dão permissão para que surjam novos elementos aglutinadores das pessoas como, por exemplo, o crime organizado.
Em meio ao caos instaurado propositalmente pela economia de mercado e onde apenas alguns poucos obtém vantagens sobre isso, fomos levados a crer que todas as regulações possíveis somente podem ocorrer através da única lei verdadeira, a da oferta e da demanda.
Resumimos todas a complexidade social e da natureza humana a apenas a uma lei econômica, tentando utilizá-la para resolver todos os problemas sociais e existenciais, quanto mais eu mais consumo mais eu me sinto melhor – mas não é assim que funciona na prática e que o digam os psicanalistas !
É óbvio que isso não pode estar certo ! Temos visto nos últimos anos o surgimento de grupos que reforçam o anti-Estado nas comunidades e nas redes urbanas, além do aumento dos níveis de temperatura do planeta, provocado em sua maioria pelo aumento do desmatamento e a diminuição das florestas pelo mundo todo, causando desregulações que já podem ser sentidas por todos nós.
Neste momento, clama-se: é necessário voltar a crescer para que possamos restabelecer os níveis de produção que garantam taxas de desemprego no mínimo aceitáveis para os nossos padrões morais, se é que eles ainda existem - lembrem-se: estamos em meio a uma crise que não foi provocada por nós, da qual nos momentos de fartura bem pouco pudemos partilhar e que nos momentos de dificuldade somos chamados a resolver o problema, afinal nada melhor do que socializar as perdas e privatizar o lucro!
Na verdade, tudo isso é mera balela, pois estamos no auge de uma crise de superprodução que não começou hoje, mas já a algumas décadas; só que esta é a primeira vez em que nos deparamos com a limitação do próprio planeta em suprir os recursos naturais de forma compensada, ou seja, sem colocar em risco o meio ambiente e com isso também a vida das diversas espécies que habitam a Terra, dentre elas, a nossa também, sem considerarmos que a nossa própria convivência como espécie esteja ameaçada pelos ódios e intolerâncias, além da doença mais bestial do capitalismo, o consumismo exacerbado que se alimenta através da fetichização, da falsa necessidade do consumo, despertando nas crianças de nossas periferias um desejo material nem sempre possível de ser realizado e as tornando cada vez mais suscetíveis, isso dentro de uma crise moral ampla que se instala a partir da falência de nossas instituições básicas, em engrossar as fileiras do anti-Estado.
Se vivemos uma crise de superprodução, e essa não é a primeira que o sistema produz – as outras foram resolvidas com grandes conflitos bélicos, aliada a uma escassez de recursos naturais que nos garanta a sobrevivência como espécie, é claro que alguma coisa deve estar errada: neste caso não deve ser a incapacidade do planeta de gerar os recursos necessários para a sua espoliação constante, muito menos a incapacidade de absorção de produtos cada vez mais desnecessários para o nosso dia-a-dia (quem em sã consciência pode acreditar que realmente necessitemos trocar de celular ou de automóvel tal como sugerem as empresas através do “marketing” que veiculam). O que está errado de fato é o sistema econômico ou a predominância de um modelo que não respeita sequer o arcabouço ideológico que o sustenta.
Devemos considerar que a superação do capitalismo, mais do que uma inevitabilidade histórica, deve ser fomentado a partir de agora, pois se antes dizia respeito a imoralidade da exploração do homem pelo homem, hoje se trata de uma necessidade premente, para que possamos ter uma chance de sobrevivência enquanto espécie.
Não podemos esquecer que todo o nosso conhecimento só pôde ser assegurado por conta de nossa capacidade diferencial em relação aos outros seres vivos em transmitir cultura. Quando, em nome de um pragmatismo bestalóide, começamos a difundir a idéia de que informação e formação dá tudo na mesma e relegamos a um segundo plano a importância deste revestimento cultural dentro de nossa sociedade, abrimos mão de um elemento vital para nossa sobrevivência, a nossa capacidade de perpetuação que se manifesta na transmissão cultural que nos fez chegar até aqui.
Além disso, sem mudarmos as relações que estabelecemos com os outros e o meio-ambiente, se não levarmos em consideração todas as ecologias nas quais estamos inseridos, jamais poderemos compreender o nosso real papel no planeta, como agente verdadeiramente transformador, dentro de uma perspectiva positiva, do meio natural e também do meio social.
Parece que nunca estivemos tão longe de uma nova ordem, porém, ela nunca se fez tão necessária como nesses dias cinzentos provocados tanto pela poluição do planeta quanto pela nossa incapacidade de refletir e reagir perante fatos tão evidentes.
Milton César Sena Sábio
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
O sonho virou realidade
JUCIMARA MONTEIRO - LETRAS USP
sábado, 8 de agosto de 2009
Sem terra marcham por reforma agrária em São Paulo
por Michelle Amaral da Silva
Manifestação reúne 1.500 militantes; acampada é atropelada por caminhão na rodovia Anhanguera e morre
Brasil de Fato
Lúcia Rodriguesda Caros Amigosenviada especial a Campinas A marcha do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) em defesa da reforma agrária começou nesta quinta-feira (06). Aproximadamente 1.500 militantes partiram de Campinas, no interior do Estado, no início da manhã, rumo à capital paulista. Achegada da caminhada está prevista para o próximo dia 10.Os manifestantes reivindicam o assentamento de 2.400 famílias que estão acampadas no Estado de São Paulo. Maria Cícera Neves, de 58 anos, é uma dessas pessoas que vivem debaixo de uma lona preta há vários anos nos inúmeros acampamentos que existem no Estado.Perdeu a vida quando lutava por um pedaço de terra. Foi atropelada no quilometro 79 da rodovia Anhanguera, em Vinhedo, no sentido interior-capital, por um caminhão que invadiu o acostamento e a arrastou por alguns metros. A morte foi praticamente instantânea. Segundo o gerente de Operações da Autoban, concessionária que administra a rodovia, Fausto Cabral, o socorro chegou 11 minutos após o atropelamento. "Quando o resgate chegou, ela já estava morta. Houve perda de massa encefálica", conta.Para o capitão da Polícia Rodoviária Renan de Oliveira Corte Brilho, que comandou os policiais que acompanhavam a marcha "ocorreu uma fatalidade". "Ninguém tem culpa, nem a organização da marcha, nem a polícia, nem a Autoban."A estudante de pedagogia da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) Paula Monteiro testemunhou o acidente. Ela caminhava próximo de Maria Cícera quando ouviu o som de uma buzina intermitente e viu um caminhão avançando sobre os manifestantesque caminhavam em fila pelo acostamento."O motorista desceu com a mão na buzina, atropelou e continuou arrastando. O pessoal batia no caminhão, para ele parar, mas ele não parava" relata a estudante. Luto na lutaMaria Cícera é mais uma a engrossar a enorme lista dos que tombaram na luta pela terra. Sua morte, no entanto, poderia ter sido evitada se o processo de reforma agrária tivesse saído do papel no Estado de São Paulo."O Serra não faz nada pela reforma agrária. Ele é contra a reforma agrária", frisa o dirigente estadual do MST Renê Parrein. Renê conta que em Andradina, município onde está assentado há 10 anos, o governo do Estado já realizou vários despejos. "Ele (Serra) já despejou várias famílias que vivem em acampamentos à espera da reforma agrária". Renê afirma que no Pontal do Paranapanema, no extremo oeste do Estado, o governo do PSDB "está tentando legalizar as terras devolutas (públicas) emfavor dos fazendeiros grileiros que atuam na região"."Querem plantar cana, mas os sem terra poderiam produzir alimentos, gerar desenvolvimento, emprego e soberania alimentar", destaca.A atuação do governo Lula também é criticada pelo dirigente sem terra. "Dá bilhões e bilhões para o agronegócio e migalhas aos assentados." Ele também questiona o fato de o governo federal não aplicar o rito sumário (quando a terra é declaradaimprodutiva e tem de ser desapropriada) para o avanço da reforma agrária. "Não avança, não cumpre as metas que foram traçadas", afirma ao se referir ao processo de reforma agrária implementado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. União campo-cidadePara que a reforma agrária saia do papel, Renê considera fundamental a integração entre os sem terra e os trabalhadores urbanos. "A classe trabalhadora não tem fronteiras. Precisamos somar forças. A reforma agrária é a melhor saída para o Brasil", ressalta.Vários sindicalistas e estudantes engrossam a marcha do MST. Para Arley Medeiros, da coordenação nacional da Intersindical, a reforma agrária não é uma bandeira só do MST. "É uma luta de todos os brasileiros."Ele conta que 100 militantes da Intersindical, entre químicos, professores, bancários e metalúrgicos, acompanham os sem terra. "O MST é o movimento mais ativo do país. A união entre o campo e a cidade é fundamental."Arley ressalta ainda que além da luta pela reforma agrária, a integração entre os trabalhadores do campo e da cidade é decisiva para enfrentar a crise econômica. "Nós queremos superar o capitalismo."A coordenadora do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Carolina Filho, concorda com Arley. "O MST é o principal movimento social da América Latina." "Eles não defendem só a reforma agrária, fazemo enfrentamento ao agronegócio. O MST consegue aglutinar uma série de setores", enfatiza. A luta continuaA estudante Susi Martinelli, 21 anos, caminhava descalça pela rodovia Anhanguera. Indagada se o calor do asfalto não a incomodava, respondeu que seus pés são calejados. Ela e a família trabalhavam em um sítio arrendado. "Tirava leite das vacas, sempre andava descalça na roça."Susi está acampada há quatro meses no município de Gália, no centro oeste paulista. "Muita gente difama o MST, taxam a gente de vagabundos porque fazemos passeatas, mas se não fizermos isso, ninguém sabe o que estamos passando. Temos de lutar por um pedaço de terra. Tenho uma filha de dois anos e meio e quero um futuro melhor para ela", ressalta.Além da conquista de um pedaço de chão, Susi acalenta outro sonho: quer ser médica. "Estou fazendo cursinho pré vestibular." Ela ainda não decidiu se quer se especializar em ginecologia ou obstetrícia.A idade não foi empecilho para Marcos dos Santos Tonon, 13 anos, participar da marcha do MST. Ele vive sob uma lona com a família, no mesmo acampamento em que Susi reside. "O sonho do meu pai sempre foi ter um pedaço de terra. Antes minha mãe tinha medo, mas depois que conheceu o MST, ela gostou." O menino foi para a marcha acompanhado pelo irmão mais velho.Marcos é um aluno dedicado, nunca repetiu, cursa a oitava série em uma escola pública, na região onde vive. Os pais estão desempregados, antes trabalhavam em um sítio cuidando do cultivo de café. "Trabalhavam na roça e eu também ajudava, quandovoltava da escola", conta.O menino está confiante que vai conseguir conquistar um pedaço de terra para viver com a família. Hoje, eles sobrevivem com alimentos que são doados ao MST. A casa improvisada tem quarto e cozinha. O banheiro é coletivo, o sonho também.
terça-feira, 21 de julho de 2009
PM determina: favelado não tem direito a lazer
18-Jul-2009
Correio da Cidadania
"Podem me prender
Podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
Daqui do morro
Eu não saio, não"
("Opinião", Zé Keti)
Freqüentemente recebo mensagens me cobrando posicionamento tão incisivo contra a ditadura e as torturas do presente quanto os que eu assumo em relação às dos anos de chumbo.
Quem viveu aquele período de arbítrio e atrocidades, sabe que a barra pesava muito, muitíssimo mais.
Mesmo assim, é chocante que, depois de tanta luta para trazermos o Brasil de volta para a civilização, o cidadão comum continue tão impotente para influir nos destinos do país, a imprensa tão blindada contra versões/interpretações alternativas e os direitos civis tão impunemente atingidos (ainda mais quando a vítima é a população carente).
Assim, a imprensa na terça-feira, 14, noticiou que a Polícia Militar do Rio de Janeiro vai impedir pela força a realização de bailes funk nas favelas. Alega que não consegue coibir o tráfico de drogas sem pisotear o direito dos favelados ao lazer.
Como motivo imediato, apresenta um episódio que evidencia, isto sim, abuso de autoridade e incompetência criminosa de sua parte: desencadeou uma operação repressiva para prender traficantes em meio a um baile no Morro dos Macacos (lá na Vila Isabel do saudoso Noel) e acabou travando tiroteio com eles, no último sábado.
Saldo: três mortos e seis feridos. Quem não tinha culpa no cartório pegou as sobras, como sempre. Caso de uma moradora de 35 anos.
Se o preço para prender traficantes é colocar inocentes em risco, a PM jamais, JAMAIS!, deve fazer tal opção.
A intervenção policial em meio a uma multidão de civis só se justifica quando há violência sendo cometida. Meras detenções podem ser deixadas para depois, pois a vida dos inocentes é SEMPRE o valor supremo a ser respeitado.
Só autoridades extremamente tacanhas e despreparadas para atuar numa democracia podem supor que a proibição do lazer, além de juridicamente aberrante, traga algum benefício concreto.
"O que radicalizou o funk foi a proibição, nos anos 90, de os clubes terem festa. O baile foi para dentro da comunidade, e a favela passou a falar para a favela: as pessoas falam sobre o que vivem. O preconceito é com o funk, como antigamente o sambista era preso. A favela não pode se expressar", queixou-se, com inteira razão, o presidente de uma associação funkeira. E uma ex-vereadora completou: "O que vão fazer 20 mil pessoas que não têm direito a lazer?".
Se depender da PM, ficarão escondidas em seus barracos, pisando em ovos para não despertar a ira dos fardados, exatamente como os judeus viviam nos guetos em que os nazistas os confinavam.
Celso Lungaretti é jornalista e escritor, mantém os blogues http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/ e http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Assassinatos de sem terras
Crimes desse tipo continuam ocorrendo de forma praticamente natural em todo território nacional.
Vítimas de uma sociedade injusta e excludente, os pequenos proprietários de terras rurais ou mesmo os despossuídos, outrora colonos e posseiros, vagam na imensidão de nosso território em busca de condições mínimas para o seu sustento e muitas vezes o de sua família..
De nada vale afirmarmos que a mecanização do campo, fato irreversível dentro da lógica brutal de mercado, provocará no curto e médio prazo o êxodo rural praticamente de forma definitiva.
Por trás desta lógica brutal, existem dois fatos também evidentes: a cidade já não é o local onde o migrante rural realiza o sonho de transformação de suas condições miseráveis adquirindo o mínimo de condição material (a mecanização da fábrica também é um fato irreversível dentro da dinâmica do capitalismo moderno) com a conseqüente diminuição do número de oferta de vagas de trabalho. Além disso, a cidade já se mostrou como modelo inadequado do ponto de vista da sustentabilidade ecológica que almejamos.
Sendo assim, é fato óbvio que o campo pode continuar a ser o local do pequeno camponês, daquele que deseja produzir sua riqueza, ainda que moderada, dentro de uma lógica que não tenha necessariamente o lucro como seu principal objetivo.
Ainda que não circule na grande mídia, sustentada muitas vezes pelos mandantes dos assassinos de aluguel, que atuam nos campos e nas cidades, abortando muitas vezes precocemente os sonhos de milhões de miseráveis que vagam nos mesmos campos e cidades deste imenso território e alienando o restante da população que pensa estar informada, não podemos deixar passar despercebido os fatos que secularmente ajudaram a transformar o nosso país em um local de privilégios de uma minoria em detrimento do sofrimento da grande maioria. Ou todos nós devemos aceitar passiva e alienantemente que realmente aqueles que possuem terras são e foram historicamente seus legítimos proprietários? Quem acredita nessa história, deve passar a acreditar a partir de agora, caso ainda não acredite, também em Papai Noel e outras coisa mais.
Muito se fala do direito inalienável da propriedade privada, sendo reafirmada de forma sofismática ao largo da história do capitalismo, particularmente em nosso país, porém, pouco afeito à democracia é esse sistema que se recusa a colocar em pauta a discussão da necessidade da introdução da propriedade social, no seio de nossa sociedade, carente de justiça social e degradadora do meio natural.
(Milton César Sena Sábio)
sábado, 27 de junho de 2009
Gislene agora e da PUC
Mas no caso da USP e um antro de elitismo e só com muito esforço e dedicação não só dos professores mas também dos estudantes e que vamos mudar essa situação.
Mas no caso da Gislene ela esta de parabéns, pois ela entrou em umas das melhores facu de São Paulo e com bolsa integral e posso garantir para vocês que não foi nada fácil, nos que estamos acompanhando o dia a dia dela sabemos o quanto ela se dedicou nos estudos aos finais de semana no cursinho e fazendo os exercícios que eram propostos pelos professores lendo os livros indicados e estudando em casa, mas ao final valeu a pena.
Parabéns Lene nos professores estamos muito feliz por você.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
A greve na USP e a fala de Antonio Candido
A presença de Antonio Candido no ato público de apoio à greve dos funcionários administrativos da Universidade de São Paulo deu ao movimento um novo significado: não se trata apenas de uma justa reivindicação salarial; trata-se do resgate de um sonho.
Antonio Candido é uma das mais brilhantes e legítimas expressões da geração de intelectuais que sonharam com a possibilidade de transformar o Brasil em uma verdadeira Nação. Isto não poderia ser feito sem um instrumento de reflexão, de debates, de diálogo democrático entre pensamentos opostos – enfim, sem um "ambiente" verdadeiramente universitário.
Que aquela geração de uspianos foi fiel ao sonho, atesta-o a sanha dos militares contra seus professores e alunos nos anos da ditadura; que o sonho ainda perturba os setores reacionários da sociedade, dão testemunho os comentários assustados que a respeito da fala de Antonio Candido têm saído na imprensa burguesa.
Esta fala teve o mérito de oferecer ao movimento grevista - e a todos, professores e alunos, inconformados com a situação atual da universidade - uma perspectiva mais ampla e gratificante do que a mera reivindicação corporativa. Sem mencionar diretamente o assunto, Antonio Candido colocou a reivindicação dos funcionários na visão maior do lugar da Universidade no país.
Salários adequados; carreiras universitárias; laboratórios; instalações; verbas para pesquisa. Tudo isto é necessário, mas não vale nada se não houver "clima universitário". E não há "clima universitário" sem independência política e financeira da Universidade.
O que está havendo na USP é a deterioração do "clima universitário" e o culpado é o sutil processo de privatização que seus atuais dirigentes impulsionam. Tal processo provocou a fissura, que se estabeleceu entre professores e departamentos financiados pelo capital privado para fazer pesquisas, de um lado, e professores sem recursos para fazê-las de outro.
A docilidade dos "financiados" às fontes de seus recursos responde pela alienação política da maioria do alunado, e o avanço da privatização reduz os recursos públicos para atender às legítimas reivindicações de professores, alunos e funcionários administrativos da instituição.
Não há como escapar dessa contradição nem como contorná-la sem trazê-la à tona e sem travar em torno dela uma disputa política aberta, porque ela só poderá ser resolvida com a vitória dos que consideram a existência de uma intelectualidade livre e independente, política e financeiramente, a primeira condição para a construção de um Estado-Nação.
A presença de um intelectual do porte de Antonio Candido no campus da USP deu o tom da disputa que precisa ser feita: a população de São Paulo quer uma universidade para formar operadores das grandes empresas capitalistas ou para servir ao povo brasileiro?
sábado, 13 de junho de 2009
Brasil, um país sem educação (2)
11-Jun-2009
Correio da Cidadania
No primeiro artigo sobre o assunto, abordei dados do precário sistema de ensino brasileiro, mostrando que, por conta dos interesses do capital e da sua dominação ideológica sobre o povo, nossos "governantes" vêm tomando medidas para rebaixar, cada vez mais, o padrão da Educação formal. E que isto teria começado com o (des) governo militar, quando encetou verdadeira "caça às bruxas" sobre os maiores expoentes do ensino brasileiro, impondo forte redução na qualidade do ensino público, além de incentivar a escola particular, fazendo da educação uma mera mercadoria.
Os seus sucessores não deixaram por menos. Principalmente os tucanos que, como aconteceu no estado de São Paulo no tempo do governador Mario Covas, retiraram matérias importantes da grade do ensino, diminuíram outras (História e Geografia), demitiram professores aos milhares, congelaram seus salários, fecharam escolas e concentraram alunos próximos de cinqüenta por sala de aula.
O resultado foi catastrófico, com já várias gerações de crianças e jovens semi-alfabetizados, depois de completarem até o 3º ano do ensino médio. Agora temos a oportunidade de ver esses dados confirmados, infelizmente, embora à época alguns tenham torcido os seus narizes aos meus comentários.
A UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a infância) divulgou resultado de pesquisa em que 26% dos alunos que ingressaram no ensino médio em 2007 foram reprovados (12,7%) ou abandonaram seus estudos (13,2%): "A realidade dos 15 a 17 anos é um desastre. Se tem desigualdade dos 7 aos 14 anos, dos 15 aos 17 fica pior", diz a coordenadora do Programa de Educação da UNICEF no Brasil, Maria de Salete e Silva. Outro dado dessa desigualdade vem da constatação de que pelo menos 680 mil crianças ficam sem estudar e que, destas, a maioria é negra (450 mil).
Em debate promovido pelo Estadão sobre a qualidade do ensino, o ministro da Educação, Fernando Haddad, defende reformular currículos de Pedagogia (leia-se formação de professores) como indispensável para melhorar a qualidade do ensino. Da mesma forma que o secretário de Educação do estado de S. Paulo, Paulo Renato, assegura que é preciso aprimoramento após a formação universitária - uma verdadeira declaração do fracasso que é nossa universidade, tanto pública quanto privada. Fracasso pelo qual os governos do seu partido – PSDB - são grandes responsáveis, embora não os únicos. Vale lembrar que Paulo Renato foi ministro da Educação no tempo de FHC – oito anos de governo em que caiu vertiginosamente a qualidade do ensino no país.
Outro reconhecimento de culpa das políticas educacionais dos vários governos vem do próprio ministro Haddad, quando afirma que "A carreira do professor não pode estar em desvantagem em relação às demais (carreiras). Vamos perder jovens vocacionados por causa de uma questão econômica". Essa constatação vai em reforço à afirmação da representante da UNICEF no Brasil, Marie-Pierre Poirier, que defende ser vital passar dos (míseros, segundo meu ponto de vista) 4,6% do PIB brasileiro (Produto Interno Bruto) para cerca de 8% do PIB.
Não podemos nos esquecer de que o governo Lula, a cada ano, vem empregando cerca de 8% do PIB para entregar aos "nossos credores", enquanto nossa dívida pública continua crescendo. Para banqueiros agiotas tem dinheiro. Não tem para a Educação, entre tantas outras carências do nosso povo. Creio que o ministro Haddad e o secretário Paulo Renato deveriam empregar suas forças para exigir do Lula e do Serra as mudanças na política econômica nacional e estadual, investindo o dinheiro público para atender aos verdadeiros interesses nacionais. Entre esses interesses, a Educação Pública.
Cabe ao professorado tanto federal quanto aos estaduais organizarem campanha unificada para que se promova verdadeira revolução no ensino brasileiro. É preciso ter coragem para enfrentar com muita garra aqueles que deveriam pensar no povo. Caso contrário, a insensibilidade dos governantes vai continuar, seus compromissos continuarão a ser com os exploradores nacionais e internacionais e as atuais e futuras gerações passarão por escolas, mas serão apenas semi-alfabetizadas. Ao movimento social, como um todo, caberá dar todo seu apoio ao professorado.
Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Greve na USP
por Michelle Amaral da Silva última modificação 02/06/2009 15:12
Se optarem pela greve por tempo indeterminado, os professores se juntarão aos funcionários da universidade, parados desde 5 de maio
Brasil de fato
02/06/2009
Da redação
Professores, servidores e estudantes da Universidade de São Paulo (USP) e outras entidades realizaram, na manhã desta terça-feira (02), um ato público em frente à reitoria.
Na paralisação de hoje, os docentes da instituição reiteraram, durante a manifestação, a disposição para uma greve permanente, caso a direção não apresente novas propostas para a categoria. Entre as reivindicações da categoria estão reajuste de 10% nos salários, além de mais verbas para as universidades.
Se optarem pela greve por tempo indeterminado, os professores se juntarão aos funcionários da universidade. Paralisados desde o dia 5 de maio, os servidores reivindicam, entre outros itens, concessão de 17% de reposição parcial das perdas, incorporação de 200 reais nos salários, garantia de emprego a mais de cinco mil trabalhadores e a reintegração do sindicalista Claudionor Brandão, demitido em dezembro do ano passado.
Os trabalhadores pedem também a reabertura das negociações, suspensas desde o dia 25 de maio. Até o momento, houve apenas uma reunião entre o Fórum das Seis (conjunto de entidades representativas de professores, funcionários e estudantes das três universidades paulistas - USP, Unesp e Unicamp) e o Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo (Cruesp). A proposta dos reitores, no entanto, oferecia apenas 6,5% de reajuste salarial e foi rejeitada.
Tentativas de intimidação
O ato foi também um repúdio à ação da Polícia Militar que, nesta segunda-feira (01), com forte aparato, ocupou todas as unidades da USP e desmontou os piquetes organizados pelos trabalhadores. De acordo com os manifestantes, os policiais chegaram a retirar e rasgar faixas dos prédios, em atitudes provocativas.
Além disso, os trabalhadores denunciaram tentativas de intimidação por parte da reitoria. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), alguns grevistas receberam telefonemas de diretores de unidades e chefias com ameaças de corte de salário e demissões.
Em nota, o Sintusp declara que, com este tipo de postura, "a reitoria demonstra a sua irresponsabilidade na ausência de diálogo com os diversos segmentos da universidade, que se colocam na defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade”.
W.Maia
quinta-feira, 28 de maio de 2009
O Primeiro Passo fui dado

sábado, 23 de maio de 2009
Poema: Eu queria ser...
Cada flor do jardim...
Cada estrela do céu...
Cada brisa da noite...
Eu queria ser a lua que inspira a poesia...
A que alimenta a alma...
E a que da esperanças...
Eu queria ser o sol que trás luz...
Eu queria ser o tudo e o todo
Todo o universo...
Elivania Costa
Aluna do Cursinho
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Distribuição de um livro com conteúdo sexual e palavrões em escolas paulistas
por cristiano última modificação 22/05/2009 09:55
Distribuição de um livro com conteúdo sexual e palavrões em escolas paulistas serviria como apoio ao ensino de alunos que estão na faixa etária de nove anos.
Brasil de Fato
20/05/09
Desirèe Luíse, da Radiagência NP
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo não tem um método para elaborar o seu conteúdo didático. A afirmação é do secretario geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Denílson Bento da Costa, sobre a distribuição de um livro com conteúdo sexual e palavrões em escolas paulistas. O material serviria como apoio ao ensino de alunos da terceira série, que estão na faixa etária de nove anos.
Desde a última semana, foram distribuídos mais de 1,2 mil exemplares do livro “Dez na Área, um na Banheira e Ninguém no Gol”, que faz parte do programa Ler e Escrever, uma das bandeiras do governo José Serra (PSDB) na educação. Bento da Costa comentou:
“Deve haver um diálogo, uma conversa, sobretudo com os professores sobre os livros didáticos ou os conteúdos que serão trabalhados com os alunos. O que acontece é que, infelizmente, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo não faz esse diálogo, não procura a informação.”
A gestão do governador Serra afirmou, nesta terça-feira (19), que houve falha na escolha do livro, e que já determinou o recolhimento da obra. Segundo declaração de Serra à imprensa, uma sindicância será aberta para apurar o fato.
Esse é o segundo caso, neste ano, de problemas no material enviado às escolas estaduais de São Paulo. Em março, alunos da sexta série receberam livros em que o Paraguai aparecia duas vezes no mapa.
W.Maia
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Agressão a estudantes tem desfecho autoritário
Escrito por Celso Lungaretti
19-Mai-2009
O Conselho de pais e professores da Escola Estadual Professor Antônio Firmino de Proença, na Mooca (zona leste de São Paulo), depredada na última quinta-feira por um grupo de alunos revoltados com as cenas de brutalidade e abuso de poder por eles presenciadas, decidiu pedir à Secretaria da Educação a imediata remoção do cargo do diretor.
Este, por incompetência e pusilanimidade, chamou a polícia para resolver um problema que um educador de verdade jamais delegaria a outrem (nem mesmo ao Juizado de Menores, que é quem deve ser acionado em tais ocorrências), daí decorrendo agressões chocantes a um estudante de 14 anos e a outro de 16, que provocaram a justa indignação dos colegas, dando origem a distúrbios cuja inteira responsabilidade foi do referido diretor poltrão e da polícia truculenta, "cuja punição exemplar acaba também de ser anunciada pelo governador José Serra" - esta seria a notícia publicada, caso estivéssemos numa verdadeira democracia.
O conselho de pais e professores da Escola Estadual Professor Antônio Firmino de Proença decidiu expulsar oito deles. Seis por terem iniciado o quebra-quebra e dois por terem sido o pivô de toda a confusão. Esta foi a notícia que saiu no jornal, igualzinha às do tempo da ditadura, que já não está mais no poder, mas continua entranhada na sociedade.
Em junho de 1968, quatro secundaristas fomos também transferidos compulsoriamente do colégio no qual estudávamos, o MMDC, na mesma Mooca. Havíamos parado a escola numa noite de sexta-feira, em protesto contra atitudes autoritárias da diretora e outras arbitrariedades.
A transferência compulsória, na verdade, é um subterfúgio para evitar a contestação de decisões frágeis. A expulsão impede a matrícula em outra instituição da rede estadual e só deixa ao punido o caminho de lutar por sua revogação, o que acabará conseguindo, comprovada a injustiça; no entanto, até lá terá perdido o ano letivo.
A transferência compulsória, se aceita, permite a matrícula imediata em outra escola estadual, mas impede o recurso à Secretaria da Educação. É pegar ou largar; os pais acabam sempre pegando.
Eremias Delizoicov e eu chegamos a defender nossa posição diante da Associação de Pais e Mestres: mesmo sendo um adolescente de 16 anos e outro de 17, mantivemos a calma e apresentamos argumentos sensatos, enquanto pais reacionários se alteravam por não conseguirem nos responder à altura. Um deles teve de ser contido para não nos agredir.
O professor que apoiou explicitamente nosso movimento, Mário Hato, não só foi desaconselhado a participar dessa reunião, como obrigado a deixar o MMDC logo depois. Iniciou carreira política pelo MDB, vindo a ser vereador, deputado estadual e federal (foi um dos constituintes de 1988).
Dos punidos, Maria Palácios é hoje uma das principais sociólogas baianas. Diego Perez Hellin leciona português na rede pública, depois de haver pegado em armas contra a ditadura e passado mais de dois anos preso. Como também participou da resistência e foi preso político este que vos escreve.
O Eremias foi assassinado com 35 tiros pela repressão, aos 18 anos de idade. Há um Centro de Documentação e uma rua com seu nome. É pouco.
Da diretora que todos os alunos repudiavam, ninguém mais ouviu falar.
Celso Lungaretti é jornalista e escritor, mantém os blogs http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/ e http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/
W.Maia
sábado, 16 de maio de 2009
A causa do negro
Editorial- Correio da Cidadania
15-Mai-2009
Um grande artista negro, já rico e respeitado, ao ouvir as queixas de um jovem negro discriminado em seu trabalho, respondeu: "Eu entendo bem o seu problema, eu também já fui negro".
No Brasil, a questão negra é indissociável da questão social. Esta salta aos olhos, mas a discriminação racial é bastante sutil: a muralha de preconceitos cuidadosamente disfarçados mantém as portas abertas para aqueles negros que, mercê de talentos excepcionais, conseguem individualmente um lugar de destaque na vida social. Fecha-se, contudo, completamente à pretensão do conjunto da população afro-descendente de superar a pobreza.
Isto faz com que a estratégia de luta para afirmar os direitos e a dignidade dessa população deva perseguir simultaneamente dois objetivos: de um lado, conquistar condições especiais para que um número considerável de pessoas negras consiga condições de entrar em competição com a população branca pelas posições mais importantes da vida social; e, de outro lado, organizar negros e brancos que militam nas forças de esquerda para derrubar o regime que gera pobreza e instaurar uma sociedade mais homogênea e igualitária.
O atual sistema de "quotas" – com todos seus inconvenientes e limitações – ainda é o único meio prático que se encontrou para colocar pelo menos uma minoria da população negra em condições de superar a pobreza e de liderar intelectualmente seu povo.
Mas, atenção! O programa só funcionará se ficar claro tratar-se de um paliativo - medidas parciais que não estancam a máquina de fabricar pobreza e, portanto, a máquina de manter o preconceito. Pior: o sistema de "quotas" não assegura automaticamente que o jovem negro premiado com a oportunidade de superar a barreira da pobreza e da discriminação se torne um lutador da causa da sua gente. Isoladamente, o programa tende mais à cooptação dessa parcela da população negra pelo sistema que escravizou seus ancestrais e que continua a manter os descendentes em situação de inferioridade social.
Somente a perspectiva de mudança de todo o sistema garante que o beneficiário das "quotas" usará o instrumental adquirido em razão desse programa para mobilizar toda a população discriminada na luta contra o regime. Para quem conhece a composição demográfica do país, não há necessidade de dizer que esta é uma condição indispensável para que a esquerda possa promover uma alteração substancial da correlação de forças que mantém a burguesia no poder.
A visão da ruptura do sistema burguês – hoje o verdadeiro divisor de águas entre os brasileiros - pode ainda ser o grande fator de unidade do povo negro e da vitória da sua causa.
W. Maia
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Camargo Corrêa pressiona por expulsão de moradores
por cristiano última modificação 07/05/2009 15:56
Em conjunto com a prefeitura de São Paulo, empreiteira pressiona moradores de Paraisópolis a deixarem suas casas, que estão no caminho de grandes obras
Brasil de Fato
05/05/2009
Marcio Zonta,de São Paulo (SP)
Moradores e entidades ligadas à Paraisópolis lançaram, no dia 25, a campanha “ Paraisópolis Exige Respeito”, que denuncia as desapropriações irregulares que vêm sendo tentadas pela prefeitura da cidade de São Paulo para que a empreiteira Camargo Corrêa efetive suas obras na região: a construção de prédios – segundo a empresa, para própria comunidade – e uma avenida que, até agora, não demonstrou sua funcionalidade. Ambos empreendimentos estão em andamento.
Um vídeo feito por um morador em uma reunião realizada no canteiro de obras da própria empreiteira entre uma funcionária da Secretaria Municipal de Habitação, conhecida como Maria Tereza, e 80 integrantes da comunidade, revela como a mulher tenta persuadir seus interlocutores. Ela argumenta que, após estes terem recebido, em meados de abril, intimação da prefeitura paulistana para imissão de posse do terreno – o que lhes dá um prazo de 20 dias para a desocupação – seria melhor que eles aceitassem a proposta das autoridades.
Ou seja, um apartamento e uma dívida a ser quitada em 25 anos. Caso contrário, a alternativa seria o recebimento de uma indenização de R$ 5 mil, quantia que, segundo a funcionária, traria um destino incerto aos moradores, que poderiam ser obrigados a ir a um albergue ou a um alojamento cedidos pela administração municipal.
José Maria, líder comunitário de Paraisópolis, indaga: “só conseguirão pagar esses apartamentos aqueles que ganharem cerca de seis salários mínimos. Por que não realizam um plano de moradia popular?”.
Marisa Ferfferman, representante do Tribunal Popular, explica que a prefeitura é, efetivamente, a dona dos terrenos, e que obteve suas posses por meio de um processo de desapropriação. No entanto, segundo ela, a Viela Passarinho (a área mais afetada pelas obras Camargo Corrêa até o momento), não foi desapropriada.
“Para caracterizar isso, precisaria de um decreto de utilidade pública, mais o pagamento do valor de mercado dos imóveis da zona, com indenização prévia, e em dinheiro. Entretanto, foram os processos de desapropriação dos terrenos vizinhos, que nem contêm moradias, que foram utilizados para solicitar ao juiz a ordem de desocupação, em uma atitude clara de má-fé”, desabafa.
Negociação com grileiros
São 6h da manhã do sábado, 25 de abril, as casas e barracos começam a tremer. São os tratores e as escavadeiras da empreiteira Camargo Corrêa que começam a trabalhar próximo às moradias, intimidando os moradores que resistem sair do local.
Maria José Pereira de Araújo teme não completar, em outubro, seus 67 anos de idade e 31 na Viela Passarinho, em Paraisópolis. Pois já está quase cedendo às pressões da empresa: “Cortam minha água, minha luz, jogam pedras no meu telhado e mandam pessoas seguirem minhas filhas quando voltam à noite do trabalho. Estou até sentindo vontade de sair, pois estou com medo”, denuncia.
Sua residência, que Maria José divide com duas filhas e dois netos, está no caminho da avenida em construção. Um vizinho conta que, no dia 24 de abril, percebeu a movimentação de oito homens da Camargo Corrêa nas imediações. “Eles se comunicavam por rádios e, quando suas filhas saíram para trabalhar, foram até lá e começaram a pedir para ela assinar um documento que passava a posse da casa para a empreiteira”.
O vizinho, então, aproximou-se e solicitou à senhora, analfabeta, que não assinasse nada sem a presença de suas filhas. De imediato, foi interpelado por um dos homens, que disse: “a Camargo Corrêa já pagou R$ 1 milhão a um grileiro pelas terras. Em 20 dias, ela sai daqui sem direito nenhum. Ela tem que se virar com a pessoa que tem o documento de proprietário do local”. Maria José confirma que recebeu a visita do grileiro que possui o documento de posse de sua casa. “Ele tentou negociar comigo, minha saída, me oferecendo dinheiro, mas não aceitei”, conta.
Usucapião
Para Feffermann, a prefeitura esconde a verdade dos moradores ao reconhecer os documentos apresentados pelos grileiros. “Esse procedimento fere as normas legais, na medida em que a comunidade que mora nessa região [Viela Passarinho] por tantos anos [mais de 15] já adquiriu o direito de ser proprietária desse lugar, através do instituto do usucapião. Sendo assim, os proprietários desse terreno são seus próprios moradores”, revela.
Num clima de terra de ninguém, onde a prefeitura, a Camargo Corrêa e grileiros negociam a área, os verdadeiros donos, os moradores, são os principais prejudicados. Ferffemann pontua: “não levam em conta as resoluções do Conselho Nacional das Cidades, que exigem participação popular na elaboração, implementação e gestão das políticas urbanas, e garantem o direito da população de baixa renda de morar junto à áreas urbanizadas, e não apenas em suas periferias”.
Além disso, segundo a representante do Tribunal Popular, essa área pertence a Zonas Especiais de Interesse Social. “Portanto, há um desvio de finalidade de um Plano Diretor, de um Plano de Urbanização. Desse modo, as políticas públicas continuarão seguindo no caminho errado, transformando em letra morta direitos sociais e democráticos previstos na Constituição Federal”, conclui.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
A Grande Mídia agoniza. Viva a Mídia Livre!
por Michelle Amaral da Silva última modificação 06/05/2009 14:51
Colaboradores: Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá,
Enquanto os jornalões e revistas semanais apostaram na oposição cega e vêm perdendo lucratividade e tiragem, a investigação, opinião e análise sérias estão nos blogs e veículos alternativos
Brasil de Fato
06/05/2009
Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá,
Ideias em Revista
A grande mídia agoniza em praça pública. Os chamados jornalões como o Jornal do Brasil, O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão, além das revistas semanais como Veja, IstoÉ e Época jamais terão novamente o poder e a influência que tiveram ou pensavam ter num passado recente. E as grandes redes de TV como Globo e Bandeirantes devem seguir o mesmo caminho, apesar de sua derrocada ser mais lenta devido aos custos de produção, à capilaridade regional por meio das afiliadas e à penetração que têm nos rincões mais escondidos do Brasil. Para essas, contudo, também é só uma questão de tempo. No lugar dos meios de comunicação tradicionais, surge uma nova, ampla e heterogênea gama de veículos, alguns impressos mas a maioria digital. É a mídia alternativa, ou livre. E nesse embate tem sido fundamental a interatividade proporcionada pelos Blogs e sites de entidades, sindicatos, jornalistas, estudantes, profissionais liberais e até donas de casa. As pessoas comuns finalmente têm um megafone virtual para sua voz e estão juntas construindo o conhecimento e um entendimento melhor sobre o mundo real em que vivem.
O ponto de virada foram as últimas eleições presidenciais em 2006 e o processo se agudiza quanto mais nos aproximamos do pleito de 2010. A Grande Mídia foi aliada de primeira hora e apoiadora destacada do golpe civil-militar de 1964, sendo por isso um dos setores mais beneficiados pela ditadura. Um dos exemplos flagrantes é acordo inconstitucional com a estadunidense Time-Life que deu a Roberto Marinho US$ 6 milhões que lhe permitiram construir a Globo em 1965 e torná-la a mais influente rede de TV do país nos anos seguintes. Outros acordos, no entanto, foram menos claros, como os retratados pela pesquisadora Beatriz Kushnir no livro "Cães de Guarda - Jornalistas e Censores, do AI-5 à Constituição de 1988" em que são apresentados casos como o do funcionário da Abril enviado por Victor Civita para treinar os censores em Brasília, e dos bastidores da Folha da Tarde, Jornal do mesmo grupo da Folha de S. Paulo que cedia as vans de entrega para transportar presos políticos para sessões de tortura. Com as benesses da ditadura, a Folha se tornou o diário de maior circulação no país. Certamente um agrado para quem em editorial de 1971 chama o governo militar de “sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular”, e mais, que “está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social”.
Nos anos 1980, com o apoio ao movimento pelas Diretas Já e o discurso de jornalismo “profissional, imparcial e isento”, como se isso fosse possível, a Folha atingiu o seu ápice em tiragem e credibilidade. Na virada da década a Globo mostrou todo o seu poder “elegendo” Fernando Collor de Melo com o debate editado no Jornal Nacional, e ajudando a derrubá-lo inflando os “caras-pintadas”. Mas a decadência viria na sequência. O início do fim foi a conspiração da mídia na criação do “escândalo do mensalão", até hoje não provado, com o objetivo declarado pela oposição de “sangrar até a morte” o Governo Lula. Contudo, apesar das manchetes, dossiês e aloprados, não conseguiram eleger seu candidato. E na esteira dos poucos veículos e blogs que então remavam contra a maré, como a revista Carta Capital e os diários de Internet de jornalistas do porte de Luís Nassif (http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/) e Paulo Henrique Amorim (http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/) , descobrimos que era possível comprar matérias de capa em revistas do porte e da antiga credibilidade de IstoÉ.
A Veja, então, abriu uma cova sob seus pés, enveredando totalmente para a ficção, os assassinatos de reputação e a falta de qualquer escrúpulo ou critério jornalístico, sempre em benefício de acordos comerciais e da oposição cega ao governo. Para não nos alongarmos em exemplos, basta citar os 22 capítulos da série “O Caso de Veja” (http://luis.nassif.googlepages.com/ ), que no auge chegou a ter link em cerca de 800 blogs. O problema é que o resto da Grande Mídia embarcou com tudo na onda achando que poderiam vender mais jornal com oposição a qualquer custo e manchetes cada vez mais sensacionalistas e não com o investimento em jornalismo sério. O resultado tem sido exatamente o inverso. Segundo os números do Instituto Verificador de Circulação – IVC, em fevereiro desse ano as vendas dos dez maiores jornais diários do país caíram 6,45% em relação à fevereiro de 2008. E a queda só não foi maior por causa de jornais mais populares, como o mineiro Super Notícia (R$ 0,25 e segundo no ranking nacional) cuja circulação caiu “apenas” 3,3%. A tiragem da Folha, com quase 300 mil exemplares por dia, por exemplo, caiu 6,6% no período. O Globo foi além, com queda de 9,3%, mas ainda abaixo do Estadão (-15,3%). Os números globais do IVC, no entanto, mostram que a circulação de jornais no Brasil cresceu 5% em 2008, puxada exclusivamente por veículos fora do ranking dos dez maiores.
Todos os grandes jornais tiveram perdas pesadas de circulação durante toda a última década apesar do aumento da população e da alfabetização. A Folha caiu de uma média diária em 2000 de 429.476 exemplares (chegou a tirar 1,25 milhão de exemplares com vendas de fascículos de um atlas aos domingos em 1995) para 298.352 em março desse ano. O Estadão foi de 391.023 para 217.414; o Diário de S. Paulo de 151.831 para 61.088; e o Jornal da Tarde de 58.504 para 50.433. Nos outros estados acontece o mesmo: O Dia tirava 264.752 em 2001 e hoje não chega a 100 mil exemplares; O Globo caiu de 334.098 em 2000 para 260.869. O Extra caiu menos, de 264.715 para 258.324; assim como o Correio Braziliense (de 61.109 para 52.831). Já o Correio do Povo foi de 217.897 exemplares diários em 2000 para 155.774 em março último.
“Os jornais vêm perdendo tiragem desde o meio da década de 1990, mas até 2006 os colunistas garantiam uma certa pluralidade na mídia que eu chamo de ‘formadora de opinião’, que é fundamentalmente manipuladora, só que isso acabou”, disse Nassif na mesa redonda “A mídia em debate”, promovida pela Agência Carta Maior no último dia 24 de abril (http://www.cartamaior.com.br/templates/tvMostrar.cfm?evento_tv_id=52). “O exemplo mais claro é que os ‘formadores de opinião’ apostaram todas as suas fichas no Gilmar Mendes como grande figura da oposição e o transformaram em uma unanimidade: o sujeito mais odiado do Brasil”. De fato, apesar da Globo ter tentado manipular os telespectadores contra o Ministro Joaquim Barbosa, o vídeo da discussão entre os dois, amplamente divulgado pelo YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=sIUdUsPM2WA), mostra para quem quiser ver, as grosserias de Gilmar Mendes com o colega. Apesar disso, no final de semana seguinte apenas a Carta Capital trouxe o assunto na capa. A Veja, que havia dado uma capa elogiosa a Barbosa quando esse denunciou os supostos participantes do mensalão como “quadrilha”, deu uma notinha interna com o preconceituoso título “O dia de índio de Joaquim Barbosa”, (tudo a ver com uma editora que tem 30% de suas ações nas mãos do o grupo de mídia sul-africano Naspers, que apoiou o Apartheid). Merval Pereira, do O Globo, seguiu a linha de que Barbosa teria “um histórico de desentendimentos com vários outros ministros”, e aproveitou para dar a informação de que Mendes tem uma foto de FHC em sua mesa de trabalho. Já Josias de Souza, em seu Blog na Folha Online, afirma que Mendes tenta “colocar panos quentes”, mas que Barbosa “é o recordista de processos pendentes de julgamento no STF” e que “Na ponta do lápis, já se indispôs com seis colegas”. Mas basta abrir os mais de 700 comentários ao texto original de Josias de Souza sobre o bate-boca para ver de que lado está a população. Isso se ainda estiverem lá, porque a UOL deletou o link para uma enquete sobre qual juiz tinha razão na discussão assim que viu os resultados esmagadores. Vão às ruas, jornalistas! Ou pelo menos leiam direito o recado da Internet.
Com a pluralidade e a articulação entre os blogs, portais e sites de análises que surgiram principalmente depois das eleições de 2006, o povo já não engole tão fácil qualquer manipulação. E exige, nas ruas e na Internet, a retratação e o reposicionamento dos veículos. Quando a Folha usou a desculpa de mais um editorial contra o presidente da Venezuela Hugo Chavez para introduzir no Brasil o vocábulo “ditabranda” e depois chamou dois conceituados professores universitários de cínicos e mentirosos por não aceitarem essa nomenclatura, o Movimento dos Sem Mídia (http://edu.guim.blog.uol.com.br/) convocou uma protesto em frente ao jornal. A notícia correu de blog em blog, sem qualquer divulgação mais organizada. Em uma manhã de sábado com cara de chuva, mais de 500 pessoas compareceram ao local, obrigando a direção da Folha a voltar atrás e afirmar em nota assinada pela redação que foi “um erro” utilizar a expressão. Mas infelizmente o jornal não se emendou.
No último dia cinco de abril, a Falha novamente tenta manipular seus leitores com uma grosseira “revisão histórica”. Em matéria de capa com o objetivo claro de torpedear a futura candidatura presidencial da Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, o jornal deturpou uma entrevista dada pelo antigo dirigente militar da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares – VAR Palmares, para afirmar em manchete que “Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim”. Pior, o jornal publicou também na primeira página o que seria uma “ficha policial” da ministra que teria sido fornecida pelos arquivos do DOPS com os crimes a ela atribuídos. Imediatamente o entrevistado Antonio Roberto Espinosa desafiou a Falha a publicar (ainda que apenas na versão online) a íntegra da entrevista gravada para provar que ele jamais disse que Dilma saberia do tal plano de sequestro, que no final não ocorreu. A negação da própria ministra também ficou escondida no meio do texto interno e suas dúvidas sobre a autenticidade da ficha passaram ao largo. Foram necessários mais 20 dias e muita mobilização na Internet para o que jornal publicasse, novamente sem destaque em uma página interna, que houve “um erro técnico” ao dizer que a ficha pertenceria ao DOPS, já que “a imagem” na verdade teria sido enviada “por uma fonte” e que sua “autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada - bem como não pode ser descartada”.
A tal ficha é uma fraude tosca produzida provavelmente por antigos torturadores e que circula na Internet em sites de direita há mais de um ano. De acordo com Espinosa, o “provável autor, é o hoje coronel reformado (na época major) Lício Augusto Ribeiro Maciel, o Dr. Asdrúbal, torturador e assassino de dezenas de pessoas em Xambioá. A seguir foi reproduzida por dois dos mais conhecidos blogs da direita mais reacionária, também alimentado por quadros subalternos do regime militar, o ‘Ternuma’, do notório coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, e o ‘A verdade sufocada – As histórias que a esquerda não quer contar’, também mantido por sargentos e oficiais de baixo escalão dos porões”. Não por coincidência, a desculpa da Folha de que não poderia provar a fraude é a mesma usada pela Veja há alguns anos para publicar um dossiê forjado por Daniel Dantas para acusar vários membros do Governo Lula de possuírem contas ilegais em paraísos fiscais. Com isso, e assegurando o anonimato da fonte da “imagem”, o jornal tenta se eximir de futuros processos judiciais. O próprio ombudsman do jornal, Carlos Eduardo Lins da Silva, em seu artigo “Até ver se a ficha cai” de 03/05/2009 (um mês após a publicação da ficha forjada), lamenta que a Redação “encerrou a apuração desse episódio seriíssimo e não acha necessário rever procedimentos de checagem de informações”, que apesar do “Manual” do jornal prever a identificação de fontes que passem “informações erradas” isso não foi e nem será feito no caso, além de nenhum funcionário ser punido. Ele, no entanto, tem “poder” apenas para “sugerir” mudanças.
Mas se os jornais, revistas e TVs estão perdendo leitores e credibilidade com suas fraudes e manipulações, a quem interessa a publicação desse tipo de matéria? Obviamente à oposição! E a alguns interesses comerciais dentro das “empresas jornalísticas”. Nesse ponto, novamente a Internet e sua vasta rede de colaboradores comuns, gente do povo, tem muito a contribuir. “O blog é um show dos leitores na construção do conhecimento”, diz Nassif. “Quando publiquei o relatório interno do STF sobre o suposto grampo telefônico, em poucos minutos quatro técnicos e engenheiros enviaram mensagens informando que o rastreamento era equivocado, tendo sido feito de dentro para fora e não de fora para dentro do prédio e a única possibilidade seria de alguma equipe externa de TV. Algum tempo depois, outro leitor foi buscar as imagens do STF no Google Earth e demonstrou que para haver um grampo externo, a recepção teria que ter sido feita necessariamente do estacionamento do STF, do Congresso ou do Palácio do Planalto e que à 1:00 da manhã certamente haveria um registro de quem estaria nesses locais. Assim, a Policia Federal não pode fechar esse caso porque teria que afirmar categoricamente que o Presidente do Supremo mentiu deliberadamente com o objetivo de plantar uma notícia falsa na imprensa”.
Também na Internet, por meio dessa rede de blogs, é possível rastrear uma série de pagamentos sem licitação realizados diretamente pelo Governo de São Paulo aos representantes da Grande Mídia. Por meio da Secretaria de Educação, o candidato do PSDB, José Serra, transferiu à Editora Abril, da Veja, os endereços residenciais de todos os professores da rede pública para que recebessem a revista Nova Escola. São 220 mil assinaturas no valor de R$ 3,7 milhões. Se forem incluídos os exemplares do Guia do Estudante, também da Abril, o custo total aos cofres públicos estaria perto de R$ 10 milhões somente no segundo semestre de 2008. Esse ano, segundo o contrato 15/014/09/04 publicado no Diário Oficial em 15 de abril, são mais R$ 12.963.060,72 para 25.702 assinaturas da Revista Recreio, também da Abril, por 608 dias. Mas os jornalões não podiam ficar de fora, por isso estão sendo adquiridas esse mês mais 5.449 assinaturas da Folha de S. Paulo e 5.449 assinaturas do Estadão para distribuição em todas as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo, tudo, claro, sem licitação. Os processos administrativos não trazem o período de assinatura e nem o valor dos contratos. Mas se for pelo valor integral (como ocorreu nos outros casos citados) da assinatura anual de cada jornal todos os dias da semana, estamos falando em algo em torno de R$ 7 milhões. Por outro lado, o Movimento dos Sem Mídia estima que a Folha tenha perdido dois mil assinantes somente durante o episódio da “ditabranda”. Nada mais justo do que o governo de São Paulo recompensar um jornal aliado, certo?
Publicado originariamente na Ideias em Revista – SisejufeRJ – abril/maio 2009
Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá são jornalistas, fotógrafos e documentaristas independentes.
http://mediaquatro.sites.uol.com.br
domingo, 3 de maio de 2009
sábado, 2 de maio de 2009
Porque eu devo continuar?
Iniciei o projeto de cursinho Pré Vestibular a quase três anos, no inicio foi complicado como todo trabalho voluntário, mas a vontade era maior que as dificuldades. Encontrei amigos dispostos a ajudar como a Carol, Nelsão, Ivan e a Rosângela, e foi assim que começamos o projeto, tímido mas com muita vontade. Com o passar do tempo tive que enfrentar muitos percalços, falta de recursos como materiais simples para ministrar uma boa aula, mas não faltava o empenho de todos os professores, e a cada final de semana eu achava que podia mudar o mundo, mas não consegui mudar nem a cabeça dos próprios moradores.
No momento estamos com 15 professores voluntários, uma infra-estrutura boa inclusive material didático grátis para todos. Mas cadê os jovens, cadê os interessados, cadê a comunidade? Temos professores que vem de Tabuão, Santana, Freguesia, São Caetano e do próprio Jaraguá, a escola e bem localizada, fizemos uma boa divulgação, que o diga a Carol e o Marcos, mano os caras sairão um sábado distribuindo folhetos chamando os interessados, gastamos o que tínhamos e o que não tínhamos, decepção total eles não vieram.
Mas eu não desisto, não porque sou Brasileiro, mas porque eu sou da quebrada, eu moro aqui. Não adianta mudar o Brasil se não mudar a onde eu moro.
Nesse momento penso em desistir, mas amanha será outro dia e eu vou reagir.
Enquanto tiver um aluno no cursinho, eu estarei lá.
"Durante a minha vida, foi lutar, lutar e lutar
ainda não venci, mas continuo lutando".
W.Maia
quarta-feira, 22 de abril de 2009
O Analfabeto Político
Bertold Brecht
O pior analfabeto
É o analfabeto político
Ele não ouve, não fala;
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão,
do peixe,
da farinha, do aluguel,
da prestação da casa própria,
do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro
que se orgulha e estufa o peito,
dizendo que odeia política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política,
nasce a prostituta,
a criança abandonada, o assaltante
e o pior de todos os bandidos:
que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto
e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
W.maia
A televisão domestica-nos
(...) Se uma pessoa querida vai para a mesa de cirurgia, ficamos em sobressalto. A equipe médica, porém, abre o crânio, corta o peito, manipula o coração ou os intestinos do paciente, com a mesma tranqüilidade com que os funcionários do Instituto Médico legal lidam com cadáveres destroçados num acidente aéreo ou sufocados pela lama de um desabamento.
Suponho que o convívio diário com certas situações acabe por embotar-nos a sensibilidade. Aos poucos, a dor alheia soa como uma ranger de porta, o horror vira rotina, a morte do próximo é vista como página virada. É a banalização da tragédia. Para suportá-la, procuramos revesti-la de comédia.
A televisão nos submete ininterruptamente a um aluvião de acidentes, assassinatos, guerras, hordas famintas e esquálidas agarradas aos ossos saltados de seus filhos. Nada disso tira o nosso sono nem provoca a nossa indignação. Aos poucos, vamos admitindo que essa é a normalidade, talvez um erro humanamente justificável como as bombas atiradas sobre crianças e idoso na Iugoslávia. Apenas um nó de tristeza por ver o mundo tão injusto e cruel.
A televisão domestica-nos para bem conviver com a tragédia, carnavalizando situações aberrantes e exibindo no palco deformações de corpo e espírito como se fossem meras atrações de interesse público. Torna-se rotina ver a face que desabona os políticos: as diatribes do ministro, a corrupção do deputado, as fanfarronices do senador, a mentira do prefeito, a demagogia do governador, o cinismo do presidente.
Assim, aos nossos olhos, molda-se a impressão de que a política é sempre suja, todos os políticos são malandros, o processo eleitoral uma farsa. Desiludidos, recolhemo-nos a nossa vida privada, indiferentes à tudo.
Tudo se banaliza, a ponto de ocorrer uma inversão em nosso enfoque: danem-se os direitos coletivos, as causas sociais, os valores e os ideais. O que importa é o chicote da mascarada, a privacidade da dançarina do tchan, a filha da rainha dos baixinhos, o féretro da princesa que enterra a nossa ilusão de que a vida, para nobres e ricos, é sempre bela e feliz.
Nas ruas tropeçamos em mendigos e cruzamos com crianças abandonadas. São moscas na comida. Importam menos que uma dor de dente. Sorte nossa que “Não somos como eles”. Preferimos acreditar que a desigualdade social é como o inverno e o verão: para uns as agruras do frio; para outros, o conforto do calor.
Conta a parábola que certo monge retornava a seu mosteiro. Cruzou no caminho com uma criança maltrapilha, abatida pela fome e pelo frio. Na igreja, vociferou contra Deus, que permitia sofrimentos tão injustos. “Por que o Senhor nada fez por aquela criança?”. De repente, um clarão. Deus mostrou a Sua face luminosa e disse a ele: “Eu já fiz você!”.
(FREI BETTO, Caros Amigos. N.º 28, julho de 1999)
W.Maia
Idéias e Pão
Se dois homens vêm
andando por uma estrada,
cada um carregando um
pão e, ao se encontrarem,
eles trocam os pães, cada
homem vai embora com um;
porém, se dois homens vem
andando por uma estrada,
cada um carregando uma
idéia, e, ao se encontrarem,
eles trocam as idéias, cada
homem vai embora com duas.
Quem sabe é esse mesmo
sentido do nosso fazer;
repartir idéias para todos
terem pão.
(Texto extraído de uma escola de assentados, do MST, na fazenda
Pirituba, em Itapeva – SP).
W.Maia
quarta-feira, 25 de março de 2009
Guerreiros do saber
Vamos nos fortalecer para agüentar até a ultima aula, parabéns a todos vocês.
W.Maia
quarta-feira, 18 de março de 2009
Livro traz dois Paraguais e exclui Equador nas escolas de SP
Livro traz dois Paraguais e exclui Equador nas escolas de SP
Um livro de Geografia que mostra dois Paraguais e nenhum Equador voltou a fazer estragos numa das áreas mais criticadas do governo de São Paulo, a educação. A Secretaria de Educação distribuiu 500 mil exemplares aos alunos da 6ª série do Ensino Fundamental da rede pública estadual.
Detalhe do mapa com dois Paraguais e o Uruguai errado
Veja ao lado um detalhe de um dos mapas com informações erradas, na apostila do primeiro bimestre. O Paraguai está localizado no Uruguai e vice-versa. Outro Paraguai aparece dentro do território da Bolívia. Na página 8 da mesma apostila, o Equador foi esquecido. Os crimes contra a Geografia se repetem nos livros destinados aos professores.
Inicialmente, a administração José Serra disse que já advertiu todas as escolas sobre os erros e que o material não será tirado de circulação, já que o erro pode ser corrigido diretamente pelos professores. Nesta terça-feira (17), a gerente de normas pedagógicas da secretaria, Hughette Teodoro, informou que os livros com erros serão recolhidos e trocados.
Segundo a funcionária, a Fundação Vanzolini, encarregada da edição, é responsável pelos erros e arcará com os custos. Em um jogo de empurra, a Fundação Vanzolini argumenta que os livros foram elaborados por professores recomendados pela secretaria.
''Diversos erros crassos''
Os erros no livro de Geografia são especialmente graves e gritantes, o que deve ter contribuido para furar a barreira de silêncio e chegar ao noticiário da mídia hegemônica, em geral simpática ao governador José Serra. Mas certamente não são os primeiros. Segundo a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), a Secretaria de Educação é reincidente.
''No ano passado, a Apeoesp, em conjunto com a categoria, apontou diversos erros crassos nos Cadernos do Professor elaborados pelo governo estadual. Neste ano, já recebemos denúncias de mais erros nos Cadernos de Matemática, Geografia, História e Filosofia'', diz o Fax Urgente da entidade.
Governado há 14 anos por sucessivas administrações tucanas, São Paulo tem apresentado um desempenho particularmente precário na área da educação pública. Embora sendo o estado mais rico e um dos mais urbanizados da Federação, apresenta um desempenho educacional abaixo da média do país.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Em manifesto, educadores pedem reabertura de escolas itinerantes do MST
por Michelle Amaral da Silva última modificação 12/03/2009 16:15
De acordo com o texto, o fechamento das escolas no Rio Grande do Sul "é parte do processo de criminalização e de expulsão do MST do Estado, conforme vem sendo denunciado pelas entidades democráticas de dezenas de países"
Brasil de Fato
12/03/2009
da Redação
Um grupo de educadores lançou um manifesto em defesa da reabertura das escolas itinerantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Rio Grande do Sul, fechadas neste mês por determinação do Ministério Pùblico Estadual e da Secretaria de Educação do Estado.
De acordo com o documento, o fechamento das escolas itinerantes "é parte do processo de criminalização e de expulsão do MST do estado, conforme vem sendo denunciado pelas entidades democráticas de dezenas de países". O texto afirma, ainda, que a iniciativa da governadora Yeda Crusius visa a "proteger os latifúndios e as corporações, em especial as de celulose".
Além da reabertura imediata, os intelectuais pedem mais infra-estrutura para as escolas, a fim de assegurar seu funcionamento.
Cerca de 400 crianças eram contempladas pela iniciativa, que chegou a ser premiada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Cerca de 1,3 mil pessoas, até agora, já aderiram ao manifesto, que pode ser acessado pelo endereço eletrônico http://www.petitiononline.com/05032009/petition.html.
quarta-feira, 11 de março de 2009
A midia e a Educação Pública
A privatização já se deu através das terceirizações dos vigias e das merendas, sem contar os livros didáticos de pesima qualidade copiada de Internet. Para que se tenha uma melhora na educação, tem que haver a participação de todos os interessados da sociedade, menos a mídia que no momento e a que mais entende de educação, falar que Faustão, Datena e companhia entendem de educação e o fim.
A desqualificação das escolas públicas e dos Professores e um projeto capitalista burguês de privatização da educação com a escancarada participação dos governos.
Wilson Maia
terça-feira, 10 de março de 2009
Educação paulista é vítima de auto-sabotagem em favor do ensino privado
Educação paulista é vítima de auto-sabotagem em favor do ensino privado
Escrito por Gabriel Brito
A educação do estado de São Paulo, teoricamente o mais expressivo pólo de formação cultural do país, está no olho do furacão das críticas há muitos anos. A qualidade da rede de ensino sofre franca e escancarada decadência nas últimas gestões e para discuti-la o Correio da Cidadania conversou com o professor e ex-diretor do sindicato da classe João Kleber Santana.
Também docente da rede pública (hoje da municipal, mas com passado na estadual), Santana denuncia que a recente prova a que foram submetidos os professores, cujos resultados tiveram ampla e negativa repercussão, não tinha objetivos administrativos e nem técnicos. Como pano de fundo, aponta uma sorrateira intenção em desvalorizar a rede pública e seus respectivos profissionais.
De acordo com suas palavras, tal auto-destruição de nosso ensino público mostra também a falta de senso republicano das últimas gestões tucanas, que estão no poder há 15 anos. E para tirar da lama o ensino paulista, o professor afirma que é necessário um plano de longo prazo que passe pela valorização da carreira e da autonomia do professor.
A íntegra da entrevista pode ser conferida a seguir.
Correio Cidadania: A mais recente prova do Estado de São Paulo para docentes da rede pública – do ensino médio e fundamental - mostrou resultados que tiveram repercussão bastante negativa. Tal fato, atrelado a outros não muito distantes no tempo, como as greves e a crise das merendas, significa que nosso ensino público se encontra em que condições?
João Kleber Santana: De abandono. Principalmente dos educadores. No caso da prova, onde se tem quase metade da rede de professores como não-efetivos, mas temporários, eles se submeteram a um exame meramente classificatório, que não significava efetivação. Ao menos demonstrou a intenção da administração.
Ela, a administração, tem de dar a motivação, o exemplo, pois possui um papel de liderança sobre aqueles que dirige. E o papel que a administração exerceu foi o de desqualificar os profissionais que a escola gerencia, portanto, uma auto-desqualificação.
Ao invés de apresentar uma política de pessoal, de médio e longo prazo, consonante com as metas que se propõem na educação, o que se fez foi um absurdo. Todas as pessoas que participaram da elaboração, implantação e divulgação dessa prova, da qual participou um grande número de professores, deveriam ser demitidas. A prova foi feita não só por aqueles que já trabalhavam como temporários, mas também por gente que gostaria de ingressar na rede estadual, além de curiosos.
E o Estado divulgou um número de professores que tirou nota zero que incluía aqueles que não foram fazer a prova. O professor que não compareceu à prova não tirou zero, apenas não foi avaliado. Portanto, a divulgação desse exame da forma como foi feita demonstra má fé da gestão, que não possui uma política de pessoal definida, que valorize o servidor. Tudo isso demonstra o que eu disse: a educação se encontra em situação de abandono.
CC: Como têm sido os processos de formação dos professores e seu acompanhamento por parte do Estado?
JKS: Sou professor da rede pública municipal. Já atuei por um bom tempo na rede estadual, mas não tenho acompanhado de forma mais sistemática. Porém, em geral o que se observa é pouco caso e pouca fiscalização, por exemplo, na formação inicial do professor, com universidades que não poderiam de maneira nenhuma estar trabalhando nesta área, além de cursos aligeirados. Assim, a formação inicial do educador é precária.
E no campo da formação continuada, o máximo que o Estado tem feito é uma formação também aligeirada - quando ela ocorre. Nas poucas vezes em que houve uma formação sistemática foi em momentos nos quais o Estado recebeu empréstimos externos, porém, com poucos investimentos diretos da própria administração nesse quesito da formação continuada do professor.
Além do mais, ultimamente tem havido o que eu chamaria de ‘desformação’ dos professores - nisso o Estado tem investido. Temos percebido, por exemplo, o uso de cartilhas, numa tentativa de homogeneização dos conteúdos da rede. Pode ser bom ou não, desde que mantenha a autonomia do professor, estimule a atividade, a maneira de ensinar. No entanto, o que se tem feito é simplesmente tentar dirigir o trabalho da sala de aula.
A rede estadual tem mais de 100 mil escolas, distribuídas em todos os municípios, nas periferias e regiões centrais, portanto, não há como melhorar o rendimento através dessas tentativas de homogeneização do processo. Apenas se reforçará as regiões que já possuem um bom rendimento e forçar para baixo o desempenho na outra ponta. É certamente esse o modelo de gestão que está sendo adotado.
CC: Sendo assim, têm razão aqueles especialistas da área que condenam a falta de vínculo entre professores e escolas, uma vez que sua contratação, distribuição, transferência, entre outros, seriam feitas através de critérios meramente impessoais.
JKS: É um pouco mais complicado, eu diria. Tem que haver critérios objetivos quando se fala de uma rede com mais de 200 mil pessoas, não dá para utilizar critérios meramente subjetivos. Por exemplo: São Paulo não tem Plano Estadual de Ensino há anos...
Digo isso porque se fosse feito algo do tipo ‘professores com melhores classificações escolhem as melhores escolas’ também se tenderia a acentuar aquela coisa de dar o melhor aos melhores e o pior aos piores. Assim, não há princípios mínimos de isonomia, eqüidade, no sentido de querermos educar com igualdade de condições para todos.
Nesse aspecto, não sou favorável a critérios meramente subjetivos. No entanto, os critérios pretendidos pelos sindicatos devem considerar alguns fatores. Um deles é o da experiência, falando de tempo de serviço. Qual o critério objetivo? Em tese, aquele que tem mais tempo de trabalho, adquire melhor experiência. No entanto, políticas de valorização salarial e de melhor formação também seriam ótimas. Professores com mais tempo, trabalham melhor e deveria haver uma possibilidade de escolha.
Critérios objetivos que significassem que o Estado decidiria para qual escola vai tal professor, com indicações, clientelismo, também não levariam a uma melhora da educação.
O problema é a intenção da gestão nesse momento. Ela aplicou uma prova que claramente tinha o objetivo de desqualificar o profissional que ela própria gere, que na prática é quem estará próximo ao aluno.
Desse modo, volto a insistir na incapacidade, ou falha gerencial, do próprio Estado para administrar a rede da qual ele é o responsável.
CC: E porque o Estado praticaria essa auto-sabotagem contra o seu ensino público?
JKS: Primeiramente, por falta de senso republicano, de proporcionar uma educação igualitária, de eqüidade, para todos os alunos da rede, respeitando o direito de todos a um bom ensino e formação.
Fora isso, a impressão que se dá é que também há interesse em valorizar a rede privada, opção que não está ao alcance de todos, como bem se sabe.
CC: O que pensa da execração promovida por diversos analistas espalhados pela mídia em relação ao professorado, por conta dos resultados do referido teste? Essas colocações deixam de lado o fundo do problema?
JKS: O que vejo é que os analistas sérios não vão por esse caminho, eles entendem mais profundamente o problema. No entanto, todos esses outros que estão espalhados e criticando os professores pelos resultados, são pessoas ligadas ao ensino privado e, portanto, têm todo o interesse em desvalorizar a rede pública e tornar mais atraente a rede particular.
Quanto à aplicação da prova, considero que poderia ser analisada por dois aspectos: ao fazer uma avaliação para uma parte dos educadores, um dos objetivos seria manter a finalidade da educação; porém, da forma como foi aplicada, com objetivos meramente classificatórios, não atinge os objetivos maiores do ensino. A outra perspectiva que podemos analisar numa prova desse tipo seria do ponto de vista gerencial, ou seja, uma prova com finalidade administrativa. Só que tampouco serviu a tal propósito, que seria o objetivo de tirar os professores da rede estadual da situação de temporários.
Uma perspectiva gerencial séria levaria em conta uma política educacional de longo prazo, e não só uma forma diferente de contratar profissionais em situação temporária.
Quando faço as críticas ao estado de São Paulo, lembro que a lei das contratações de temporários é da década de 70, ou seja, tem sido utilizada há mais de 30 anos; uma lei definitiva para contratações temporárias. Como o Estado justifica tamanha demora para a resolução de tal problema?
Se formos analisar a administração tucana, do PSDB, ela já esta há 16 anos no governo estadual. E mesmo com os governos Quércia e Montoro tendo gerenciado antes, há uma linha de continuidade nesses partidos. Portanto, eles têm uma responsabilidade de mais de duas décadas na direção da educação paulista. As crianças que têm sido formadas são de total responsabilidade desse governo.
Não dá para discutir seriamente do ponto de vista dos objetivos de uma educação pública, laica, gratuita, republicana. Do ponto de vista gerencial, o único que se constata é a desqualificação da rede pública para ampliação da rede privada, ou a mera incompetência da gestão, o que me parece de fato o problema, com a colocação de pessoas que não têm compreensão do tamanho de uma rede de ensino como a desse estado.
CC: Por fim, que medidas deveriam ser tomadas para que se comece a transformar o quadro de nossa educação e voltar a moralizá-la diante dos pais, alunos e sociedade, e para uma verdadeira evolução em sua qualidade?
JKS: São várias questões, mas a primeira seria a construção do plano estadual de educação, coisa que São Paulo não tem há muitos anos. Isso de forma democrática e participativa, o que significaria o envolvimento da sociedade em sua elaboração.
Porém, teria de envolver aqueles que de fato têm compromisso com a administração pública, ou seja, pais, alunos, profissionais, e até mesmo a administração, através de uma ampla discussão e um processo mais preocupado com a qualidade que com a velocidade. Demoraria certo tempo, mas tal plano precisaria de uma visão de longo prazo, o que significa mais de um governo, mais de 10 anos. Essa é uma medida geral que eu encaminharia.
Do ponto de vista mais imediato, sugeriria a criação por parte da Assembléia Legislativa de cargos para servidores públicos e a realização de concursos, para que os educadores saiam da situação de temporários para servidores do estado.
Outras medidas seriam a criação de planos de carreiras, valorização salarial, políticas de formação, capacitação e avaliação sem objetivos apenas classificatórios, mas que analisassem os problemas e propusessem soluções, uma vez que a mídia apresentou os dados de forma duvidosa. A prova envolveu mais de 200 mil pessoas e todo o debate girava em torno dos resultados dos 3000 que tiraram nota zero, sendo que muitos nem compareceram à prova, embora tenham se inscrito nela.
Gabriel Brito é jornalista