quarta-feira, 4 de abril de 2012

Alunos da escola mais bem avaliada de SP receberam ajuda de professores

Alunos da escola mais bem avaliada de SP receberam ajuda de professores por Marina Morena Costa, iG São Paulo O Ministério Público Estadual de São Paulo em Sorocaba irá investigar suspeita de fraude na escola estadual Reverendo Augusto da Silva Dourado. Em reportagem do iG, pais e alunos denunciam que os alunos teriam recebido ajuda de professores durante o Saresp, prova de português e matemática que avalia o desempenho da rede e serve de base para o cálculo do bônus dos profissionais de educação. A escola tirou nota 9,3 no Idesp 2011 — indicador de qualidade que combina desempenho dos estudantes no Saresp com dados de aprovação, reprovação ou abandono – e ficou classificada em primeiro lugar entre as estaduais no 5º ano do ensino fundamental. A média estadual foi de 4,24. De acordo com o boletim da escola, 100% dos 27 alunos tiveram desempenho avançado em matemática e 81% alcançaram o mesmo resultado em português. No ano anterior, a nota tinha ficado em 6,07 e em 2009 em 3,21. O promotor Antonio Domingues Farto Neto, da área de atos infracionais, irá acionar a Promotoria da Infância e da Juventude, a Promotoria Criminal e a Delegacia da Infância e da Juventude. “Precisamos apurar se houve a fraude. Como a avaliação está ligada ao prêmio de meritocracia, a manipulação, em tese, se configura em crime de estelionato”, afirma Farto Neto. O deputado estadual Hamilton Pereira (PT) é da região de Sorocaba e afirma que irá visitar a escola e conversar com a comunidade. “É importante que esse fato sirva como um alerta ao Poder Executivo. Esse tipo de estímulo (bônus) é importante, mas é preciso vir acompanhado de políticas estruturantes para que não caiam nesse vale-tudo. Essa situação toda é lamentável”, afirmou em nota. Também da região de Sorocaba, o deputado estadual Carlos Cezar (PSB) se manifestou exigindo a rápida apuração do caso. “Apesar da parte da Vunesp (aplicadora do Saresp), a Secretaria de Educação é a maior responsável pela idoneidade da avaliação. É uma acusação muito grave e por isso precisa ser investigada com riqueza de detalhes.” O presidente da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo, Simão Pedro, também do PT, se diz muito preocupado com as denúncias e afirma que irá protocolar um requerimento na Comissão exigindo que a secretaria se pronuncie sobre o caso. “Se isso foi feito para fraudar o bônus, toda a política está sob suspeita”, avalia. Para o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a reportagem do iG ressalta a necessidade de cuidado com os resultados e mecanismos de controle dos testes de larga escala. “Não significa que não devem ser feitos, mas quando tem pontos muito fora da curva o poder público deveria checar antes de publicar os resultados”, aponta. Cara destaca ainda que é importante ter clareza de que testes educacionais não são definitivos para dizer se uma escola é boa ou não. Investigação Após a publicação da reportagem, a Secretaria Estadual de Educação disse que pedirá esclarecimentos à Fundação Vunesp, responsável pela aplicação do Saresp. Mesmo avisada sobre os depoimentos de pais e alunos, a pasta afirma que, de acordo com os seus registros, professores de outras escolas aplicaram o Saresp na Reverendo Augusto da Silva Dourado. Depois da repercussão junto ao Ministério Público, a Secretaria de Educação enviou nova nota acrescentando que pode haver punição administrativa e penal. Leia a íntegra da nota: A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo já solicitou à Fundação Vunesp, responsável pela aplicação do Saresp, relatório sobre as circunstâncias da prova realizada na Escola Estadual Reverendo Augusto da Silva Dourado, em Sorocaba. Com base nos esclarecimentos prestados, a Pasta decidirá quais providências serão tomadas. Se forem comprovadas quaisquer irregularidades, os responsáveis serão devidamente punidos na forma da lei, o que poderá ocorrer não só no plano administrativo, mas também no âmbito da legislação penal. De antemão, cabe elucidar, no entanto, que o exame não foi aplicado por professoras da própria escola, como questionou o portal, mas sim por um docente de outra unidade. A Secretaria ressalta ainda que, para garantir a idoneidade do Saresp, as provas do 5º ano são aplicadas por professores de turmas ou escolas diferentes. Para a realização da avaliação é contratada uma empresa terceirizada que elabora e fiscaliza a realização do exame, com fiscais presentes em sala de aula. Além disso, dois pais voluntários participaram da fiscalização, circulando pela referida unidade de ensino, e não relataram nenhuma irregularidade. Do site: Vi o Mundo

terça-feira, 3 de abril de 2012

Governo de SP deu menos de R$ 5,00 de bônus a muitos professores

Breno Cunha: Governo de SP deu menos de R$ 5,00 de bônus a muitos professores Comunico a vergonhosa bonificação do O Governo do Estado de São Paulo ao professorado. Ele anunciou aos quatros ventos, desde jornais impressos ao SPTV, que mais de 200 mil professores seriam contemplados com bonificação por resultados, mencionando o pagamento de até 2,5 salários… Porém, ocultou que a maior parcela recebeu menos de um salário mínimo, e ainda um grande número de profissionais recebeu menos de R$ 5,00. A SEE/SP publicou o modus operandi: Cálculo O Bônus por Resultado é proporcional ao desempenho da escola. Se as metas foram 100% alcançadas, as equipes escolares ganham 2,4 salários a mais. Se a unidade atingiu 50% de sua meta, por exemplo, os funcionários recebem 50% do bônus (ou seja, 1,2 salário a mais). Se a instituição chegou a 10% da meta, seus funcionários recebem 10% do bônus (0,2 salário). A minha unidade de ensino atingiu 22% da meta, e mesmo assim não recebemos nada, contrariando a própria portaria da SEE/SP (Se a instituição chegou a 10% da meta, seus funcionários recebem 10% do bônus (0,2 salário). Há relatos no Facebook da Apeoesp de depósitos de centavos na conta… O Governo do Estado usa destes artifícios para separar a categoria, humilhar o professorado perante a população que acredita na mídia e na estorinha dos 2,5 salários. Sinceramente estou com vergonha de ser professor. Em pouco tempo esta profissão estará tão defasada que os piores alunos assumirão as salas de aulas. Afinal, os melhores estão buscando outras profissões nas universidades, e o ciclo de pobreza intelectual se perpetuará ao caos, onde a grande massa continuará sendo tão somente “massa”. VI O MUNDO