Desde setembro, os estudantes secundaristas e universitários argentinos têm protagonizado grandes jornadas de luta em defesa da educação pública, gratuita e laica. Lá como aqui estão em marcha grandes ataques contra esses pilares da produção e difusão de autêntico conhecimento científico, adequando ainda mais o ensino às diretrizes emanadas no Consenso de Washington. Mais de 30 escolas e faculdades já foram ocupadas pelos estudantes.
O epicentro das mobilizações está na província de Córdoba*. Está em trâmite no parlamento provincial a Reforma da Lei da Educação nº 8113. O objetivo é adequar a normativa às pautas da Lei Nacional de Educação, ou seja, à contra-reforma educacional levada à cabo pelos Kirchner. Dentre outras coisas, a tal “reforma” prevê a introdução do ensino religioso nos currículos! A reforma na Lei de Educação, da autoria de uma senhora Adela Coria, é discutida há mais de um ano no Conselho de Políticas Educativas mas, como não poderia ser diferente, os burocratas excluíram da discussão os maiores interessados: estudantes, professores e demais profissionais de educação.
Essa legislação retrógrada fica explicitada nos artigos nº 11 e nº 35 da referida lei. O artigo nº 11 diz ser um “direito” dos pais “que seus filhos recebam de maneira opcional, no âmbito da educação pública de gestão estatal, educação religiosa que lhes permita apreender os valores e conteúdos básicos da crença pela qual optaram”. 1 Ou seja, dinheiro público investido na lavagem cerebral dos jovens. A reivindicação de uma instrução pública separada da religião, que data da Revolução Francesa de 1789, tem que ser hoje defendida com unhas e dentes. Essa é a tal “modernização” da educação, da qual tanto falam os gerentes de plantão!
Além do caráter obscurantista desta contra-reforma, ela também amplia o corte de verbas e abre de par em par as portas para a privatização do ensino. No seu artigo nº 46 é mencionado como um dever do Ministério da Educação “propiciar a firmação de convênios de colaboração mútua entre as autoridades educativas com os setores da produção e do trabalho”.2 Nós, estudantes brasileiros, bem sabemos o que significa essa “colaboração” com a “sociedade civil”: privatização, nada mais do que isso. Além da luta contra o ensino religioso e a privatização, os estudantes também reivindicam aumento de verbas para a educação, melhorias estruturais nos prédios de ensino e demais demandas democráticas.
Uma vez que os governos de turno não ouvem os estudantes, e não o farão porque, claro, todas as suas medidas estão diretamente voltadas contra estes e a educação pública em geral, os estudantes argentinos têm ocupado prédios e tomado as ruas. Nós estudantes brasileiros também nos recordamos dos métodos “democráticos” empregados no Brasil para aprovar as contra-reformas no ensino, quando da aprovação do famigerado REUNI, por exemplo. Por isso mesmo saudamos os companheiros argentinos e esperamos que a luta de toda a juventude estudantil latino-americana, mantida sob o tacão e a ganância de lucro máximo do imperialismo ianque, possa se unificar em ainda maiores e mais combativas jornadas de luta.
Abaixo a Lei de Educação 8113, obscurantista e privatista!
Viva a luta dos estudantes argentinos!
Defender com unhas e dentes a educação pública, gratuita, laica e de qualidade!
Retirado do site: Movimento Estudantil Popular Revolucionário
O Projeto Ipês – Iniciativa Pró-Educação Solidária nasceu de um sonho de democratizar o acesso ao Ensino Superior Público de qualidade, levando a um bairro da periferia de São Paulo um cursinho popular mantido por trabalho voluntário.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Brasil fica entre os piores em ranking de salas de aula lotadas
Brasil fica entre os piores em ranking de salas de aula lotadas
Escrito por Folha de São Paulo - Fábio Takahashi e Talita Bedinelli
Seg, 18 de Outubro de 2010 10:59
Para OCDE, situação do país melhorou, mas média é de 30 alunos por classe do 5º ao 9º ano. Nos demais países pesquisados, salas têm média de 24 estudantes; educadores dizem que é preciso investir mais.
As turmas de ensino fundamental do Brasil têm, em média, seis alunos a mais do que as de nações desenvolvidas. A notícia positiva é que a situação do país melhorou. A conclusão está presente na edição 2010 de um estudo anual da OCDE, organização que reúne países desenvolvidos.A entidade analisou a situação educacional de 39 países, incluindo convidados como Brasil e Rússia.
Nas classes de 5º a 9º ano das escolas brasileiras há, em média, 30 alunos. Nos demais países analisados, 24. Rússia e Eslovênia, por exemplo, estão na casa dos 20 estudantes por turma.
Classes mais numerosas prejudicam a qualidade de ensino, pois os professores têm mais dificuldade para saber as deficiências individuais dos alunos, dizem educadores ouvidos pela Folha.
A situação do Brasil é um pouco melhor nos anos iniciais do ensino fundamental (1º a 5º ano), onde há, em média, 25 alunos por sala. No grupo analisado, são 21. Os dados são de 2008 e consideram rede pública e privada.
O relatório destaca ainda que o tamanho das turmas no Brasil diminuiu em relação a 2000, quando no primeiro ciclo havia um estudante a mais por turma e, no ciclo final, quatro a mais.
FALTA DE ESTRUTURA
A presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), Yvelise Arco-Verde, reconhece o excesso de alunos por sala. "Uma grande quantidade de alunos diminui a possibilidade de um melhor trabalho do professor", afirma ela.
Para Yvelise, que também é secretária de Educação do Paraná, o problema é decorrência de "atraso educacional" histórico.
O presidente da Undime (União dos Dirigentes de Instituições Municipais), Carlos Eduardo Sanches, credita o problema à falta de investimentos. "Precisamos de investimento público em educação, sobretudo da União. Quando tivermos mais dinheiro, vamos enfrentar o problema", afirma.
O presidente da CNTE (confederação dos trabalhadores em educação), Roberto Leão, concorda. Para ele, "fica o recado no Dia do Professor [comemorado ontem] que é preciso aumentar o investimento, para construir mais classes e contratar mais educadores."
O Ministério da Educação diz que o comprometimento do governo federal com a educação básica saltou de cerca de R$ 500 milhões para aproximadamente R$ 10 bilhões ao ano.
CONSEQUÊNCIAS
Romualdo Portela de Oliveira, professor da Faculdade de Educação da USP, pondera que a média registrada pelo Brasil no estudo está "em um patamar razoável". "Lógico que há casos absurdos. O país tem que trabalhar ainda com quem está fora da média, mas em princípio não parece complicado".
Segundo ele, salas com excesso de alunos dificultam as condições de trabalho do professor e, além de atrapalhar o processo de aprendizagem do estudante, aumentam o estresse dos docentes.
Reportagem publicada na semana passada na Folha apontou que, em SP, são dadas, em média, 92 licenças por dia para professores com problemas emocionais.
Fonte:ABRELIVROS
Escrito por Folha de São Paulo - Fábio Takahashi e Talita Bedinelli
Seg, 18 de Outubro de 2010 10:59
Para OCDE, situação do país melhorou, mas média é de 30 alunos por classe do 5º ao 9º ano. Nos demais países pesquisados, salas têm média de 24 estudantes; educadores dizem que é preciso investir mais.
As turmas de ensino fundamental do Brasil têm, em média, seis alunos a mais do que as de nações desenvolvidas. A notícia positiva é que a situação do país melhorou. A conclusão está presente na edição 2010 de um estudo anual da OCDE, organização que reúne países desenvolvidos.A entidade analisou a situação educacional de 39 países, incluindo convidados como Brasil e Rússia.
Nas classes de 5º a 9º ano das escolas brasileiras há, em média, 30 alunos. Nos demais países analisados, 24. Rússia e Eslovênia, por exemplo, estão na casa dos 20 estudantes por turma.
Classes mais numerosas prejudicam a qualidade de ensino, pois os professores têm mais dificuldade para saber as deficiências individuais dos alunos, dizem educadores ouvidos pela Folha.
A situação do Brasil é um pouco melhor nos anos iniciais do ensino fundamental (1º a 5º ano), onde há, em média, 25 alunos por sala. No grupo analisado, são 21. Os dados são de 2008 e consideram rede pública e privada.
O relatório destaca ainda que o tamanho das turmas no Brasil diminuiu em relação a 2000, quando no primeiro ciclo havia um estudante a mais por turma e, no ciclo final, quatro a mais.
FALTA DE ESTRUTURA
A presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), Yvelise Arco-Verde, reconhece o excesso de alunos por sala. "Uma grande quantidade de alunos diminui a possibilidade de um melhor trabalho do professor", afirma ela.
Para Yvelise, que também é secretária de Educação do Paraná, o problema é decorrência de "atraso educacional" histórico.
O presidente da Undime (União dos Dirigentes de Instituições Municipais), Carlos Eduardo Sanches, credita o problema à falta de investimentos. "Precisamos de investimento público em educação, sobretudo da União. Quando tivermos mais dinheiro, vamos enfrentar o problema", afirma.
O presidente da CNTE (confederação dos trabalhadores em educação), Roberto Leão, concorda. Para ele, "fica o recado no Dia do Professor [comemorado ontem] que é preciso aumentar o investimento, para construir mais classes e contratar mais educadores."
O Ministério da Educação diz que o comprometimento do governo federal com a educação básica saltou de cerca de R$ 500 milhões para aproximadamente R$ 10 bilhões ao ano.
CONSEQUÊNCIAS
Romualdo Portela de Oliveira, professor da Faculdade de Educação da USP, pondera que a média registrada pelo Brasil no estudo está "em um patamar razoável". "Lógico que há casos absurdos. O país tem que trabalhar ainda com quem está fora da média, mas em princípio não parece complicado".
Segundo ele, salas com excesso de alunos dificultam as condições de trabalho do professor e, além de atrapalhar o processo de aprendizagem do estudante, aumentam o estresse dos docentes.
Reportagem publicada na semana passada na Folha apontou que, em SP, são dadas, em média, 92 licenças por dia para professores com problemas emocionais.
Fonte:ABRELIVROS
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