segunda-feira, 13 de julho de 2009

Assassinatos de sem terras

Na noite de 06/07, no acampamento Chico Mendes, no município de Brejo da Madre de Deus, no estado de Pernambuco, cinco integrantes do MST foram assassinados por duas pessoas em uma motocicleta.
Crimes desse tipo continuam ocorrendo de forma praticamente natural em todo território nacional.
Vítimas de uma sociedade injusta e excludente, os pequenos proprietários de terras rurais ou mesmo os despossuídos, outrora colonos e posseiros, vagam na imensidão de nosso território em busca de condições mínimas para o seu sustento e muitas vezes o de sua família..
De nada vale afirmarmos que a mecanização do campo, fato irreversível dentro da lógica brutal de mercado, provocará no curto e médio prazo o êxodo rural praticamente de forma definitiva.
Por trás desta lógica brutal, existem dois fatos também evidentes: a cidade já não é o local onde o migrante rural realiza o sonho de transformação de suas condições miseráveis adquirindo o mínimo de condição material (a mecanização da fábrica também é um fato irreversível dentro da dinâmica do capitalismo moderno) com a conseqüente diminuição do número de oferta de vagas de trabalho. Além disso, a cidade já se mostrou como modelo inadequado do ponto de vista da sustentabilidade ecológica que almejamos.
Sendo assim, é fato óbvio que o campo pode continuar a ser o local do pequeno camponês, daquele que deseja produzir sua riqueza, ainda que moderada, dentro de uma lógica que não tenha necessariamente o lucro como seu principal objetivo.
Ainda que não circule na grande mídia, sustentada muitas vezes pelos mandantes dos assassinos de aluguel, que atuam nos campos e nas cidades, abortando muitas vezes precocemente os sonhos de milhões de miseráveis que vagam nos mesmos campos e cidades deste imenso território e alienando o restante da população que pensa estar informada, não podemos deixar passar despercebido os fatos que secularmente ajudaram a transformar o nosso país em um local de privilégios de uma minoria em detrimento do sofrimento da grande maioria. Ou todos nós devemos aceitar passiva e alienantemente que realmente aqueles que possuem terras são e foram historicamente seus legítimos proprietários? Quem acredita nessa história, deve passar a acreditar a partir de agora, caso ainda não acredite, também em Papai Noel e outras coisa mais.
Muito se fala do direito inalienável da propriedade privada, sendo reafirmada de forma sofismática ao largo da história do capitalismo, particularmente em nosso país, porém, pouco afeito à democracia é esse sistema que se recusa a colocar em pauta a discussão da necessidade da introdução da propriedade social, no seio de nossa sociedade, carente de justiça social e degradadora do meio natural.
(Milton César Sena Sábio)

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