sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Notas sobre a crise do capital

Desde setembro do ano passado temos nos acostumado a conviver com um tema que passou a fazer parte do cotidiano da maioria das pessoas ao redor do planeta. Assistimos nos noticiários televisivos que a crise do mercado imobiliário norte-americano se alastrou e atingiu o sistema financeiro em escala mundial.
De lá para cá começamos a entender um pouco melhor do que se trata a crise do ponto de vista real, na medida em que começamos a sofrer os seus efeitos: retração da economia e desemprego são os dois lados de uma mesma moeda, enquanto a salvação da economia e dos trustes internacionais, com a socialização das perdas, segundo os arautos do conhecimento macroeconômico digam que isso seja a única coisa a ser feita neste momento.
Sob a égide da supremacia da economia de mercado contra a economia planificada, o neoliberalismo se instaurou mundo afora, impondo a todos nós uma nova ordem mundial, unilateral e sofismática: o capitalismo não é a melhor solução, mas é única que temos.
Com a derrocada do socialismo real, assistimos nas últimas duas décadas a uma avalanche de novas velhas idéias, impondo a lógica de mercado como a única possível e deixando ao deus mercado a regulação de toda a economia, agora em escala global. Assistimos o fim da social-democracia, do “welfare state” e também do correlato norte-americano, o “keynesianismo”.
O resultado de tudo isso foi evidentemente o enfraquecimento dos Estados nacionais, que passaram agora a serem escritos com “e” minúsculo, enquanto o nome das corporações continua a ser escrito com iniciais maiúsculas.
Os governos de cada Nação, aparentemente soberanos, muitas vezes tornam-se são presas fáceis dos grandes oligopólios internacionais, que acionam os mecanismos de pressão necessários para a manutenção do “status quo” global, sempre com a anuência das agências internacionais a serviço do grande capital, o FMI e o Banco Mundial, além de terem disseminado a plutocracia de forma praticamente irreversível, fato que pode ser comprovado pelo alto grau de corrupção dos governos em escala mundial, bem como das prostituídas relações clientelísticas que se tornaram cada vez mais comum a partir da hegemonia da economia de mercado em escala global. Para isto basta lembrar o quanto involuímos a partir do financiamento privado de campanhas políticas, modelo instalado no Brasil a partir do governo FHC.
Durante esses vinte anos, período em que o capitalismo deveria confirmar sua supremacia enquanto modelo econômico, afinal havíamos chegado ao Fim da História, aos poucos ele se revelou numa verdade totalitária, sendo imposto de forma coercitiva, portanto, bem pouco democrático, provocando um rebaixamento nos níveis de segurança social gerando instabilidade e insegurança em todas as pessoas ao redor do mundo, além de provocar, por seu excesso de pragmatismo, um rebaixamento civilizatório de magnitude difícil de ser mensurada, ameaçando, inclusive, a própria hegemonia do sistema a partir de sua superestrutura (o avião está sem piloto) !
As antigas instituições, outrora criticadas pelas tendências progressistas dos mais diversos países e que necessitavam sem sombra de dúvidas de reformulações, a Escola e a Família, instituições que representavam o modo burguês de vida, agora se sentem anacrônicas perante uma sociedade que caminha de acordo com os passos e a lógica da instabilidade absoluta e do pragmatismo que deixam de lado qualquer possibilidade de reunião que não seja para tratar exclusivamente de negócios...
Somos herdeiros da civilização greco-romana e daquelas que a sucederam e resgataram a sua importância histórica, do ponto de vista cultural e político. A base de nossa civilização ainda se encontra dentro do projeto iluminista que ousou um dia resgatar a República. Essa forma política em que podemos conceber claramente a distinção do público e do privado prevê a existência de um Estado que garanta direitos, mas que cobre de seus cidadãos também os deveres, de acordo com o contrato social estabelecido.
Assistimos infelizmente nos últimos anos um aceleramento da mitigação do papel do Estado como agente garantidor de alguns direitos básicos do cidadão, dentre eles, educação, segurança e saúde e tudo por um motivo óbvio: com a hegemonia da economia de mercado tudo o que existe passa a ser nicho de mercado, ou seja, objeto sujeito à mercantilização. Surgem novos clientes, novos contratos de cessão, diminuindo cada vez mais o papel do Estado, e também o acesso da maior parte daqueles que agora não podem pagar pela prestação do serviço.
Interessante notar que esse mesmo Estado ainda seja regido por políticos que se elegem através de pleitos regulares, financiados através do dinheiro privado, mas que assumem aparentemente com o compromisso de zelar e cuidar daquilo que é público, entretanto, obviamente jamais poderão agradar a gregos e troianos.
Quanto à família, essa só pode ser lembrada em dias festivos que fazem alguma referência a ela, mas que na verdade também não passam de datas escolhidas dentro do calendário comercial para a alvancagem de vendas, portanto, mais negócios...
A família desaparece e agora a nova moda é família nuclear, ou seja, perdem-se todos os vínculos com os parentes mais próximos e todos aqueles que agora são chamados de agregados ou mesmo um estorvo, tais como pais e avós sem renda, mas que outrora ajudavam e muito bem na criação de nossos filhos...
Sem laços familiares, os laços comunitários também desaparecem e dão permissão para que surjam novos elementos aglutinadores das pessoas como, por exemplo, o crime organizado.
Em meio ao caos instaurado propositalmente pela economia de mercado e onde apenas alguns poucos obtém vantagens sobre isso, fomos levados a crer que todas as regulações possíveis somente podem ocorrer através da única lei verdadeira, a da oferta e da demanda.
Resumimos todas a complexidade social e da natureza humana a apenas a uma lei econômica, tentando utilizá-la para resolver todos os problemas sociais e existenciais, quanto mais eu mais consumo mais eu me sinto melhor – mas não é assim que funciona na prática e que o digam os psicanalistas !
É óbvio que isso não pode estar certo ! Temos visto nos últimos anos o surgimento de grupos que reforçam o anti-Estado nas comunidades e nas redes urbanas, além do aumento dos níveis de temperatura do planeta, provocado em sua maioria pelo aumento do desmatamento e a diminuição das florestas pelo mundo todo, causando desregulações que já podem ser sentidas por todos nós.
Neste momento, clama-se: é necessário voltar a crescer para que possamos restabelecer os níveis de produção que garantam taxas de desemprego no mínimo aceitáveis para os nossos padrões morais, se é que eles ainda existem - lembrem-se: estamos em meio a uma crise que não foi provocada por nós, da qual nos momentos de fartura bem pouco pudemos partilhar e que nos momentos de dificuldade somos chamados a resolver o problema, afinal nada melhor do que socializar as perdas e privatizar o lucro!
Na verdade, tudo isso é mera balela, pois estamos no auge de uma crise de superprodução que não começou hoje, mas já a algumas décadas; só que esta é a primeira vez em que nos deparamos com a limitação do próprio planeta em suprir os recursos naturais de forma compensada, ou seja, sem colocar em risco o meio ambiente e com isso também a vida das diversas espécies que habitam a Terra, dentre elas, a nossa também, sem considerarmos que a nossa própria convivência como espécie esteja ameaçada pelos ódios e intolerâncias, além da doença mais bestial do capitalismo, o consumismo exacerbado que se alimenta através da fetichização, da falsa necessidade do consumo, despertando nas crianças de nossas periferias um desejo material nem sempre possível de ser realizado e as tornando cada vez mais suscetíveis, isso dentro de uma crise moral ampla que se instala a partir da falência de nossas instituições básicas, em engrossar as fileiras do anti-Estado.
Se vivemos uma crise de superprodução, e essa não é a primeira que o sistema produz – as outras foram resolvidas com grandes conflitos bélicos, aliada a uma escassez de recursos naturais que nos garanta a sobrevivência como espécie, é claro que alguma coisa deve estar errada: neste caso não deve ser a incapacidade do planeta de gerar os recursos necessários para a sua espoliação constante, muito menos a incapacidade de absorção de produtos cada vez mais desnecessários para o nosso dia-a-dia (quem em sã consciência pode acreditar que realmente necessitemos trocar de celular ou de automóvel tal como sugerem as empresas através do “marketing” que veiculam). O que está errado de fato é o sistema econômico ou a predominância de um modelo que não respeita sequer o arcabouço ideológico que o sustenta.
Devemos considerar que a superação do capitalismo, mais do que uma inevitabilidade histórica, deve ser fomentado a partir de agora, pois se antes dizia respeito a imoralidade da exploração do homem pelo homem, hoje se trata de uma necessidade premente, para que possamos ter uma chance de sobrevivência enquanto espécie.
Não podemos esquecer que todo o nosso conhecimento só pôde ser assegurado por conta de nossa capacidade diferencial em relação aos outros seres vivos em transmitir cultura. Quando, em nome de um pragmatismo bestalóide, começamos a difundir a idéia de que informação e formação dá tudo na mesma e relegamos a um segundo plano a importância deste revestimento cultural dentro de nossa sociedade, abrimos mão de um elemento vital para nossa sobrevivência, a nossa capacidade de perpetuação que se manifesta na transmissão cultural que nos fez chegar até aqui.
Além disso, sem mudarmos as relações que estabelecemos com os outros e o meio-ambiente, se não levarmos em consideração todas as ecologias nas quais estamos inseridos, jamais poderemos compreender o nosso real papel no planeta, como agente verdadeiramente transformador, dentro de uma perspectiva positiva, do meio natural e também do meio social.
Parece que nunca estivemos tão longe de uma nova ordem, porém, ela nunca se fez tão necessária como nesses dias cinzentos provocados tanto pela poluição do planeta quanto pela nossa incapacidade de refletir e reagir perante fatos tão evidentes.
Milton César Sena Sábio

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O sonho virou realidade

Apesar de vivermos em um mundo repleto de divisões paradigmáticas existem pessoas que SONHAM .E é graças a DEUS e as sonhadores/idealizadores deste projeto que uma etapa dos meus próprios SONHOS foi concretizada.Como diria FERNANDO PESSOA:"Tudo vale a pena se a alma não é pequena".Acreditem vale a pena MESMO e apesar do desgaste físico,emocional de todos os finais de semana aproveitadissímos no projeto,recebi além das técnicas de REDAÇÃO,AULAS DE LITERATURA,FORMULAS DE MATEMÁTICA(vai curinthias!!!),FÍSICA,QUÍMICA,AULAS DE HISTÓRIA GERAL E DO BRASIL,GEOGRÁFIA,ESPANHOL(ME ENCANTA LAS CLASSES).Pude receber a oportunidade de AMPLIAR MEUS SENSO CRÍTICO,A CONSCIÊNCIA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL e a ter FÉ NA EDUCAÇÃO que é sem dúvida alguma é a única solução para o nosso querido BRASIL.Agradeço pela generosidade de todos e por fazer parte da história deste projeto que começou como um SONHO,nebulosas apenas,hoje já tem percentual de aprovação na fuvest e em vários outros vestibulares.MEU MUITO OBRIGADA A TODOS.
JUCIMARA MONTEIRO - LETRAS USP