O Projeto Ipês – Iniciativa Pró-Educação Solidária nasceu de um sonho de democratizar o acesso ao Ensino Superior Público de qualidade, levando a um bairro da periferia de São Paulo um cursinho popular mantido por trabalho voluntário.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
DESOCUPAÇÃO DO PINHEIRINHO
DESOCULPAÇÃO DO PINHEIRINHO
“A policia foi muito competente e me deu muito orgulho”
“A policia ágil com competência e com honra”
Palavras da Juíza da 6° vara Civil de São José dos Campos, Márcia Loureiro responsável pela ordem de reintegração de posse da área do Pinheirinho em entrevista para a TV O Vale.
“LEVANTA VAGABUNDO!”
Foi desta forma que os moradores do Pinheirinho foram acordados na madrugada do dia 22 de janeiro de 2012, com a ordem de saírem de suas casas sem poder retirar nada do pouco que eles tinham conseguido, através dos anos com muito suor e trabalho. Com a clara violação dos direitos humanos, o processo de reintegração de posse do Pinheirinho em favor a especulação imobiliária e em favor do sonegador de impostos, o proibido de entrar em 27 países, o investidor sonegador Naji Nahas; a polícia Militar de SP despreparada e violenta quando se trata de trabalhadores, dizendo-se cumprindo ordens da Juíza MÁRCIA LOUREIRO que deu os parabéns a policia militar de SP pelo seu belíssimo trabalho e que cumprirá ordem do governador ALCKIMIM, que deu ordem expressas de derrubar as casas assim que retirassem os moradores o mais rápido possível, que passou a ser a tática do PSDB, DESOCUPAÇÃO COM DEMOLIÇÃO, não dando chances aos moradores de voltarem para as suas casas, e no caso do Pinheirinho o mais grave, não foi dado à chance dos moradores retirassem seus pertences. Vimos pelos telejornais os tratores demolindo as casas com os móveis ainda dentro delas, deu pra ver tudo sendo destruídos pelos tratores geladeiras, fogões e as camas nada pode ser retirado, nem mesmo o sonho de ter uma casa para poder criar com dignidade seus filhos; até mesmo os animais de estimação que estavam ainda presos e passando fome, foram deixados para trás, pois a policia impedia que os moradores entrassem no terreno.
ALCKMIN E CURY os dois do PSDB junto com a juíza Márcia Loureiro ordenaram a desocupação com dois mil homens da policia militar de São José dos Campos para desalojar nove mil moradores que estavam na área ocupada desde 2004.
Os moradores foram surpreendidos durante a madrugada com um aparato de guerra, o Pinheirinho estava cercado com a cavalaria, cães e muitos policiais com sangue nos olhos, os moradores sem chance de defesa ficam acuados e começa a humilhação, LEVANTA VAGABUNDO, era o grito de guerra dos policiais. Moradores sem defesa e com a alma cheia de esperança por justiça e fé a usavam como armas contra todo aparato militar ali presente, tudo em vão... justiça não caminha junto com os trabalhadores, só resta à fé.
O que aconteceu no Pinheirinho pode acontecer em outras ocupações, como foi o que aconteceu no Moinho, com a desculpa de falta de segurança no local o prefeito Kassab demoliu o restante das moradias não deixando os moradores voltarem para seus lares. Esta na hora de nós moradores agirmos ou os próximos seremos nós.
TODOS SOMOS PINHEIRINHO
DEZ MENTIRAS QUE CERCAM O PINHEIRINHO
Por HUGO ALBUQUERQUE
FAZENDO MEDIA
Com a tragédia ainda em curso, e a quantidade colossal de sofismas e boatos propositalmente espalhados acerca do Pinheirinho, me dei ao trabalho de selecionar as dez piores mentiras – no sentido de superstição consciente e oportunamente utilizadas pelo Poder – que estão a pairar por aí sobre o tema. Vamos lá:
1. “Não houve violações, a reintegração de posse foi pacífica”
Eis a pior e mais primária de todas. Vídeos aos montes, fotos aos milhares, além de relatos emocionados de testemunhas oculares - como o nosso Tsavkko - e de moradores -dados, inclusive, para a imprensa internacional - contradizem isso. A polícia não veio para brincar, com sua tropa de choque, suas balas de borracha e sua sede por violência. Atacaram uma comunidade formada por famílias – seus velhos, suas crianças, pessoas com necessidades especiais – e quem ficou no meio do caminho apanhou. Sobre eventuais distorções da nossa imprensa, convido à leitura do que pensa sobre isso o Guardian, um dos principais jornais do mundo.
2. “A culpa é dos moradores, por serem invasores e/ou por não terem negociado”
É a tese do varão da república (do café com leite) Elio Gaspari, devidamente rebatida pelo nosso João Telésforo. Acrescentamos ainda que o Brasil possui 22 milhões de vítimas do chamado “deficit habitacional” – o eufemismo contábil que expressa a quantidade daqueles que foram largados para morrer ao relento -, o Brasil possui uma Constituição que fala em função social da propriedade privada e em dignidade da pessoa humana, o Brasil possui uma jurisprudência que não aceita a inércia da administração pública como desculpa. para não realização de políticas públicas. Outra, não estar nem aí para um contingente de milhares de pessoas – só no caso do Pinheirinho – é uma decisão política sua, portanto, assuma o risco dela, mas esperar que essa gente simplesmente tenha de sentar e esperar a morte chegar, é pedir de mais – ou mesmo aceitar um cheque qualquer e enfie o rabo entre as pernas do lugar onde ela estão estabelecidos, só para, no fim das contas, realizar o fetiche dos credores da massa falida de um mega-especulador.
3. “Foi um processo duro, mas cumpriu-se a letra da lei”
Nem isso. Na manhã de domingo, quando ocorreu a invasão, havia um conflito de competência entre a Justiça Estadual e a Justiça Federal, portanto não havia ordem judicial que autorizasse realmente qualquer reintegração de posse. Mesmo se houvesse, uma ordem judicial não equivale a uma carta branca da polícia para fazer nada, tampouco ignorar os direitos ou as garantias daqueles cidadãos asseguradas pelas Constituição.
4. “Os moradores estão sendo atendidos devidamente”
Os moradores do Pinheirinho, depois de perderem suas casas, estão amontoados em igrejas, ginásios ou quetais. Eles estão ao relento e identificados com uma pulseira azul – por que numa estrela azul logo de uma vez?
5. “Os policiais só cumpriram ordens”
Opa, tudo bem que militares obedecem ordens, mas isso não significa que, numa democracia, um oficial deva acatar irresponsavelmente uma ordem qualquer e executá-la da maneira que bem entende - com suscitou a secretária de justiça de São Paulo Eloisa Arruda -, do contrário, lhes seria autorizado atentar contra a ordem (“democrática”), o que seria uma hipótese absurda. É evidente que os maiores responsáveis por essa hecatombe são os senhores Geraldo Alckmin e Eduardo Cury - respectivamente governador do estado e prefeito municipal de São José dos Campos -, mas os oficiais que lideraram a missão tem sua parcela de responsabilidade nessa história sim.
6. “O Pinheirinho é uma espécie de Cracolândia”
“Só se for no quesito da especulação imobiliária sobrepondo-se ao direito e à dignidade das classes pobres” como diria meu amigo joseense Rodrigo dos Reis. De resto, essa analogia - como foi utilizada pela Rede Globo - só duplica a perversão verificada no apoio à política de “dor e sofrimento”, aplicada na região do centro de São Paulo chamada “Cracolândia” – um grave problema de saúde pública e de moradia, tratado à base de cacetete.
7. “O governo federal é culpado por ter politizado a situação”
Como testemunhamos na nota soltada pelo PSDB para “responder” o governo federal. Bom, nem vou perguntar como alguém poderia ter politizado uma situação que é política por natureza, mas como seria possível despolitiza-la. Ainda, é curioso como se responda ao quase silêncio do governo federal culpando-o por uma ação violenta que foi executada por dois governos seus, o estadual de São Paulo e o municipal de São José dos Campos. De novo, chuto o balde aqui: faça um, dois, um milhão de pinheirinhos, mas pelo menos assuma o que fez e não se ponha como vítima, as vítimas são os desabrigados.
8. “Os moradores do Pinheirinho são envolvidos com movimentos sociais radicais”
Membros do PSDB, como o pré-candidato paulistano Andrea Matarazzo, pensam o mesmo do correligionário Geraldo Alckmin, nem por isso alguém razoável defende que o governador seja arrancado à força do que quer que seja. No mais, o governador Alckmin ou os próceres da massa falida do Nahas na imprensa, deviam saber que vivemos numa democracia e as pessoas têm liberdade para se filiar ao grupo pacífico que bem entendem – nem na hipótese absurda de todos os moradores do Pinheirinho terem relação com o PSTU (que é como dizer que todos os moradores do bairro de Alckmin têm ligação com, p.ex. a opus dei), é fato que aquele partido jamais usou de força ou conluios no judiciário para desalojar um bairro inteiro, logo, quem é radical mesmo?
9. “O governo federal não podia ter feito, nem pode fazer, nada”
Podia sim, tanto que estava negociando uma saída pacífica, até que veio a invasão no domingo, uma boa dose de paralisia, uma comemoração de 25 de março com tucanos de alta plumagem e uma condenação vazia no recente fórum social mundial. Dizer que o Pinheirinho é Barbárie, até eu digo, Presidenta, agora mandar hospitais de campanha do exército fornecer ajuda humanitária aos milhares de desabrigados, nem todo mundo pode – e mesmo vale para a construção de moradias dignas para eles no curto prazo. Importante: não estou nivelando tucanos a petistas, esse caso deixa claro que os primeiros não têm coragem de assumir o que fazem, enquanto os segundos não têm coragem de fazer aquilo que assumem – são papéis inteiramente diferentes.
10. “O Pinheirinho é uma catástrofe, estamos todos derrotados, não há nada o que fazer contra essa marcha invencível”
Toda marcha desse tipo, em seu interior, admite uma Leningrado – e eu não estou chamando tucanos de fascistas em um sentido histórico não, afinal, aqueles tinham coragem moral de assumir o que faziam, isso foi só uma metáfora que guinadas reacionárias, por sua própria natureza, trazem consigo a possibilidade de sua derrota. No demais, não existe espaço para choradeira como colocou com precisão o Bruno Cava pelo papel que o Pinheirinho está cumprindo. Digo mais, repetindo o que já digo aqui o tempo todo: a favela é o locus definitivo de resistência daqueles que foram largados para morrer ao relento, é processo de luta, portanto, sua própria existência – e sua re-existência – é positividade pura. O antropofágico Pinheirinho, mais ainda. Derrota é a resignação, é sentar-se e aceitar morrer, nada disso acontece.
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