sábado, 4 de dezembro de 2010

A USP NÃO É PARA OS TRABALHADORES

A USP NÃO É PARA OS TRABALHADORES
A mídia, as elites e os governos estão colocando na cabeça de nossos jovens que estão terminando o ensino médio este ano, de que as universidades públicas não são a principal ou a melhor opção de ensino superior para eles.
Foi feito um trabalho massivo entre os poderes de dominação da necessidade de nossos jovens que estão terminando seu estudo fundamental e médio de que eles têm que prestar concursos para estudar nas ETECS e FATCS e assim deixar livre o vestibular da FUVEST para as elites.
Sei que prestar vestibular da FUVEST para alunos que estudaram em escolas publica e uma sacanagem, é quase impossível disputar uma das vagas com os colégios das elites onde os professores são bem remunerados e os colégios bem equipados com tudo do melhor para se dar uma boa aula, sem contar que o estudante destas instituições não tem outra preocupação a não ser estudar e no final do ano viajar para Disney, coisa que não acontece com nossos estudantes (apesar de que ir a Disney deve ser uma merda), as preocupações são outras. E mais urgentes.
Mas mesmo assim com iniciativas de vários cursinhos Pré Vestibular Popular espalhado por vários bairros e especialmente nas periferias as coisas estavam mudando e alguns de nossos manos já ousavam estudar em faculdades públicas. A elite, a mídia e os governos não gostaram nada disso e reagiram criando e enaltecendo vários cursos técnicos mostrando-se assim sua preocupação com nossos estudantes, foram criados então dois tipos de faculdades a dos ricos e a dos pobres, ou seja, quem se formar em cursos nas faculdades será o patrão dos que estudarem nas escolas técnicas (com raríssimas exceções). Não sou contra os cursos técnicos, pelo contrario ate incentivo os estudantes do cursinho a prestar seus vestibulares, mas se não tem vagas para todos os estudantes nas faculdades publicas, então que faculdades públicas são essas?
Por um ensino publico e de qualidade para todos os trabalhadores   
                                       
               "Não fui como os outros meninos, que entravam no circo por baixo do pano.Nasci dentro dele e levava uma vida que causava inveja aos outros garotos.Eu, do meu lado, tinha inveja deles. Eles tinham uma casa, tinham seus brinquedos comuns e poderiam ir diariamente á escola. Eu começava a frenquentar um colégio e o circo se transferia.Lá ficava eu sem escola "
                  Abelardo Pinto, o palhaço Piolim 
  

domingo, 28 de novembro de 2010

Por uma Universidade pública para todos

Por uma Universidade pública para todos

Hoje tem início a uma das fases do maior vestibular dos pais com mais de 130mil inscritos, quem conseguir passar vai estudar na maior universidade do país e uma das melhores da América Latina, mas sem duvida a mais elitista e preconceituosa de todas.
Por isso quero deixar aqui o meu parabéns a todos do cursinho que nesse dia vão prestar a Fuvest, o ano foi duro, foram muitos finais de semana de estudo já que o nosso projeto e dedicado a alunos que além de estudar tem que trabalhar para se sustentar e que mesmo assim suportou horas e horas para alcançar o sonho de entrar em uma universidade pública.
Desejo a todos os alunos do cursinho toda sorte do mundo, encare de cabeça erguida, pois vocês já são vencedores.
Quero agradecer também aos professores que se dedicarão o ano para que esse momento fosse de igual para igual apesar de tudo
Parabéns e boa prova

A criminalização da política na USP

A criminalização da política na USP


por Conceição Lemes


Na próxima terça-feira, às 13h, quatro alunos que participaram da greve de 2007, quando houve a ocupação do prédio da Reitoria, vão depor no processo administrativo aberto pela Universidade de São Paulo, que visa a expulsá-los.
Na mesmo dia, às 18h, estudantes, funcionários e professores uspianos farão, no prédio da História, um ato suprapartidário contra a criminalização da política na USP. As três entidades representativas participarão: Diretório Central dos Estudantes (DCE), Associação dos Docentes (Adusp) e do Sindicato dos Trabalhadores (Sintusp). Também representantes dos processados, professores da USP, Unicamp e Unesp.
“A USP contribuiu muito para o Brasil remover o entulho autoritário herdado da legislação da época da ditadura militar, porém não removeu o entulho autoritário dos seus estatutos”, denuncia Ricardo Musse, professor de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. “Nos últimos quatro anos houve crescente criminalização da política na universidade. Coincidiu com a chegada de José Serra (PSDB) ao governo do Estado de São Paulo.”
Vinte e quatro alunos estão ameaçados de expulsão. Além dos quatro de 2007, há 20 da ocupação da Coseas (Coordenadoria de Assistência Social), em março de 2010, para reivindicar melhores condições de moradia. O processo administrativo contra os alunos ficou pronto na semana passada.
“Todos nós fomos surpreendidos com essa informação, até porque havia um acordo com ex-reitora, a professora Suely Vilela, de que não haveria punições pela ocupação e greve de 2007. Além disso, tem a questão do Coseas e do Sintusp, bem mais graves”, afirma o aluno Ricardo Maciel. “Por coincidência, a universidade deixou para divulgar só agora, quando as aulas estão quase no fim e a possibilidade de mobilização é menor. Tudo isso soa perseguição política contra quem se antepõe de maneira mais enfática ao projeto encampado pela administração da USP.”
A USP está utilizando um decreto de 1972, portanto, gerado em plena ditadura militar para punir alguns alunos. Para outros, a USP está tirando os acontecimentos do contexto político, pedindo a punição por delitos como briga e depredação.
O jurista Fábio Konder Comparato, professor emérito da Faculdade de Direito da USP, condena: “Eu não diria que o uso da legislação da ditadura é uma volta ao passado, porque todas as grandes instituições deste país, inclusive as universidades, têm longa e inabalada tradição oligárquica. Para que os ‘donos do poder’ continuem mandando, todos os meios são bons”.
O acordo a que se refere o estudante Ricardo Maciel, foi afiançado por cinco professores: Paulo Arantes, Francisco de Oliveira, João Adolfo Hansen, Luiz Renato Martins e István Jancsó (falecido). Há, segundo os professores, um documento assinado.
O professor Comparato põe o dedo na ferida: “Não saberia dizer se o compromisso assumido pela ex-reitora foi para valer, ou simplesmente para aparecer, segundo outra inabalada tradição brasileira”.
“NEM NA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR ISSO HAVIA ACONTECIDO”
O fato é que alunos, funcionários e professores estão com medo de se manifestar politicamente, receando perseguição e punição.
“Outro dia uma colega que iria assinar um trabalho conosco pediu para tirar o nome dela na última hora”, exemplifica Musse. “Como estava ainda no estágio probatório, sentiu-se em risco.”
Essa semana houve eleição para o Sintusp. Foi proibida a colocação de uma urna no prédio da Reitoria.
“Agentes da guarda universitária da USP agrediram violentamente representantes do Sindicato, mesários e representantes das chapas em uma tentativa brutal de impedir a instalação na urna no prédio da reitoria”, informa o site do Sintusp. A urna acabou instalada na portaria principal do prédio.
“A eleição para composição da nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da USP ocorre a cada 3 anos, e nunca houve tamanha repressão por parte da reitoria da Universidade de São Paulo”, prossegue a nota no site do Sintusp. “Nem mesmo na época da ditadura militar.”
A propósito, em 9 junho de 2009, por determinação do então governador José Serra, a tropa de choque invadiu o campus da Cidade Universitária para dispersar manifestação de alunos e professores em apoio à greve dos funcionários da USP. A polícia atirou balas de borracha, bombas de efeito moral e gás de pimenta contra os manifestantes.
“Nem na época da ditadura militar”, relembra Musse, “isso havia acontecido.”
Leia também Manifesto em defesa da política na Universidade de São Paulo

http://www.viomundo.com.br/denuncias/ato-contra-a-criminalizacao-da-politica-na-usp.html