sábado, 24 de novembro de 2012

festa de final de ano do cursinho

Amanhã sera um grande dia, mas não sera o fim do mundo e sim o começo de novos tempos, boa sorte confiamos em vcs. Mas um final de ano de muita luta, mas valeu a pena, agora e fazer a prova da Fuvest e esperar o resultado. Nos professores temos muito orgulho de vcs.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Alunos da escola mais bem avaliada de SP receberam ajuda de professores

Alunos da escola mais bem avaliada de SP receberam ajuda de professores por Marina Morena Costa, iG São Paulo O Ministério Público Estadual de São Paulo em Sorocaba irá investigar suspeita de fraude na escola estadual Reverendo Augusto da Silva Dourado. Em reportagem do iG, pais e alunos denunciam que os alunos teriam recebido ajuda de professores durante o Saresp, prova de português e matemática que avalia o desempenho da rede e serve de base para o cálculo do bônus dos profissionais de educação. A escola tirou nota 9,3 no Idesp 2011 — indicador de qualidade que combina desempenho dos estudantes no Saresp com dados de aprovação, reprovação ou abandono – e ficou classificada em primeiro lugar entre as estaduais no 5º ano do ensino fundamental. A média estadual foi de 4,24. De acordo com o boletim da escola, 100% dos 27 alunos tiveram desempenho avançado em matemática e 81% alcançaram o mesmo resultado em português. No ano anterior, a nota tinha ficado em 6,07 e em 2009 em 3,21. O promotor Antonio Domingues Farto Neto, da área de atos infracionais, irá acionar a Promotoria da Infância e da Juventude, a Promotoria Criminal e a Delegacia da Infância e da Juventude. “Precisamos apurar se houve a fraude. Como a avaliação está ligada ao prêmio de meritocracia, a manipulação, em tese, se configura em crime de estelionato”, afirma Farto Neto. O deputado estadual Hamilton Pereira (PT) é da região de Sorocaba e afirma que irá visitar a escola e conversar com a comunidade. “É importante que esse fato sirva como um alerta ao Poder Executivo. Esse tipo de estímulo (bônus) é importante, mas é preciso vir acompanhado de políticas estruturantes para que não caiam nesse vale-tudo. Essa situação toda é lamentável”, afirmou em nota. Também da região de Sorocaba, o deputado estadual Carlos Cezar (PSB) se manifestou exigindo a rápida apuração do caso. “Apesar da parte da Vunesp (aplicadora do Saresp), a Secretaria de Educação é a maior responsável pela idoneidade da avaliação. É uma acusação muito grave e por isso precisa ser investigada com riqueza de detalhes.” O presidente da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo, Simão Pedro, também do PT, se diz muito preocupado com as denúncias e afirma que irá protocolar um requerimento na Comissão exigindo que a secretaria se pronuncie sobre o caso. “Se isso foi feito para fraudar o bônus, toda a política está sob suspeita”, avalia. Para o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a reportagem do iG ressalta a necessidade de cuidado com os resultados e mecanismos de controle dos testes de larga escala. “Não significa que não devem ser feitos, mas quando tem pontos muito fora da curva o poder público deveria checar antes de publicar os resultados”, aponta. Cara destaca ainda que é importante ter clareza de que testes educacionais não são definitivos para dizer se uma escola é boa ou não. Investigação Após a publicação da reportagem, a Secretaria Estadual de Educação disse que pedirá esclarecimentos à Fundação Vunesp, responsável pela aplicação do Saresp. Mesmo avisada sobre os depoimentos de pais e alunos, a pasta afirma que, de acordo com os seus registros, professores de outras escolas aplicaram o Saresp na Reverendo Augusto da Silva Dourado. Depois da repercussão junto ao Ministério Público, a Secretaria de Educação enviou nova nota acrescentando que pode haver punição administrativa e penal. Leia a íntegra da nota: A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo já solicitou à Fundação Vunesp, responsável pela aplicação do Saresp, relatório sobre as circunstâncias da prova realizada na Escola Estadual Reverendo Augusto da Silva Dourado, em Sorocaba. Com base nos esclarecimentos prestados, a Pasta decidirá quais providências serão tomadas. Se forem comprovadas quaisquer irregularidades, os responsáveis serão devidamente punidos na forma da lei, o que poderá ocorrer não só no plano administrativo, mas também no âmbito da legislação penal. De antemão, cabe elucidar, no entanto, que o exame não foi aplicado por professoras da própria escola, como questionou o portal, mas sim por um docente de outra unidade. A Secretaria ressalta ainda que, para garantir a idoneidade do Saresp, as provas do 5º ano são aplicadas por professores de turmas ou escolas diferentes. Para a realização da avaliação é contratada uma empresa terceirizada que elabora e fiscaliza a realização do exame, com fiscais presentes em sala de aula. Além disso, dois pais voluntários participaram da fiscalização, circulando pela referida unidade de ensino, e não relataram nenhuma irregularidade. Do site: Vi o Mundo

terça-feira, 3 de abril de 2012

Governo de SP deu menos de R$ 5,00 de bônus a muitos professores

Breno Cunha: Governo de SP deu menos de R$ 5,00 de bônus a muitos professores Comunico a vergonhosa bonificação do O Governo do Estado de São Paulo ao professorado. Ele anunciou aos quatros ventos, desde jornais impressos ao SPTV, que mais de 200 mil professores seriam contemplados com bonificação por resultados, mencionando o pagamento de até 2,5 salários… Porém, ocultou que a maior parcela recebeu menos de um salário mínimo, e ainda um grande número de profissionais recebeu menos de R$ 5,00. A SEE/SP publicou o modus operandi: Cálculo O Bônus por Resultado é proporcional ao desempenho da escola. Se as metas foram 100% alcançadas, as equipes escolares ganham 2,4 salários a mais. Se a unidade atingiu 50% de sua meta, por exemplo, os funcionários recebem 50% do bônus (ou seja, 1,2 salário a mais). Se a instituição chegou a 10% da meta, seus funcionários recebem 10% do bônus (0,2 salário). A minha unidade de ensino atingiu 22% da meta, e mesmo assim não recebemos nada, contrariando a própria portaria da SEE/SP (Se a instituição chegou a 10% da meta, seus funcionários recebem 10% do bônus (0,2 salário). Há relatos no Facebook da Apeoesp de depósitos de centavos na conta… O Governo do Estado usa destes artifícios para separar a categoria, humilhar o professorado perante a população que acredita na mídia e na estorinha dos 2,5 salários. Sinceramente estou com vergonha de ser professor. Em pouco tempo esta profissão estará tão defasada que os piores alunos assumirão as salas de aulas. Afinal, os melhores estão buscando outras profissões nas universidades, e o ciclo de pobreza intelectual se perpetuará ao caos, onde a grande massa continuará sendo tão somente “massa”. VI O MUNDO

terça-feira, 27 de março de 2012

Educação Para Uma Nova Sociedade

Por Marcio Pochmann, 25.03.2012 Da implantação da República, em 1889, até a Constituição Federal, em 1988, o avanço da escola pública no Brasil não foi contínuo, pois esteve marcado pelo fardo da escravidão e pelos traços de uma sociedade patrimonialista. Assim, em quase cem anos de República, a educação permaneceu prisioneira das condições de produção e reprodução do subdesenvolvimento nacional. Até a década de 1940, por exemplo, as possibilidades de inclusão dos filhos de negros na escola pública eram quase nulas, tanto assim que a parcela significativa dos analfabetos do país do início do século XXI possui mais de 55 anos de idade e não são brancos. Ao mesmo tempo, a apropriação patrimonialista do Estado por estritos segmentos sociais transformou a boa escola pública em quase exclusividade de reprodução de uma elite branca, sem conceder possibilidades para a universalização do acesso a toda população. Com a aprovação da Constituição Federal após a transição da ditadura militar (1964 – 1985) para o atual regime democrático, a educação pública ganhou relevância. Mas isso se deu associado à necessária garantia de recursos orçamentários, o que permitiu rapidamente ao país alcançar a universalização do acesso ao ensino fundamental. Neste novo contexto constitucional de estruturação do Estado de bem-estar social no Brasil, assistiu-se ao avanço da cobertura social para praticamente todos os segmentos vulneráveis da população, como crianças e adolescentes (Estatuto da Criança e Adolescente – ECA), idosos e portadores de necessidades especiais (reconfiguração do sistema de aposentarias e pensão), pobres (programas de transferências de renda, como o Bolsa Família), desempregados (seguro desemprego), entre outros. Com isso, os indicadores sociais passaram a apontar melhoras inegáveis, não obstante os enormes constrangimentos impostos pelo predomínio das políticas neoliberais desde o final da década de 1980. Os avanços sociais não foram, contudo, plenos. O segmento juvenil, por exemplo, permaneceu à margem, sendo somente mais tardiamente objeto de maior intervenção de políticas públicas. Mesmo assim, de forma parcial e incompleta, a começar pelo programa Agente Jovem do final dos anos 1990, passando pelo fracasso do programa Primeiro Emprego do início da década de 2000, até chegar ao mais estruturado programa governamental Pró-Jovem. Tendo em vista o enorme desafio atual de conceder maior atenção à problemática da inclusão juvenil no Brasil, torna-se fundamental a temática educacional, especialmente aquela atinente às condicionalidades que afetam a trajetória das condições de vida do segmento social de 16 aos 24 anos de idade. Inicialmente, percebe-se que, dos 29,3 milhões de jovens na faixa de 16 a 24 anos de idade, somente 32,4% mantinham-se afastados do mercado de trabalho no ano de 2008. Deste universo de 9,5 milhões de jovens inativos, 59% somente estudavam, enquanto 41% não estudavam, não trabalhavam e nem procuravam trabalho (3,9 milhões). A maior parte dos jovens de 16 a 24 anos encontrava-se ativa no interior do mercado de trabalho (19,7 milhões), sendo 16,7 milhões ocupados e 3 milhões na condição desempregados (15,2%). Dos que trabalhavam, somente 31,7% estudavam (5,3 milhões), indicando que a maior parte que se encontra ocupado não consegue estudar (11,4 milhões). No caso dos desempregados, 40% frequentavam escola (1,2 milhão) e 60% não estudavam (1,8 milhão). Resumidamente, constata-se que, da população de 16 a 24 anos de idade, somente 11,8 milhões (40,2%) estudavam em 2008. Deste universo, 47,5% (5,6 milhões) não trabalhavam nem procuravam trabalho (inativos), 44,9% (5,3 milhões) estavam ocupados e 10,2% (1,2 milhão), desempregados. Em relação aos jovens que não frequentavam escola (17,5 milhões), 65,1% trabalhavam (11,4 milhões), 22,2% não trabalhavam e nem procuravam trabalho (3,9 milhões) e 10,3% estavam desempregados (1,8 milhão). Para os 29,3 milhões de jovens na faixa de 16 a 24 anos de idade, a renda média familiar per capita era de R$ 512,70 ao mês em 2008. Mas para os jovens inativos que só estudavam, a renda média familiar per capita era de R$ 633,20 ao mês (23,5% superior à renda média). Já para os jovens inativos que não estudavam, a renda média familiar per capita era de somente R$ 309,60 ao mês em 2008 (39,6% inferior à renda média). No caso dos jovens ocupados que estudavam a renda média familiar per capita era de R$ 648,70 ao mês em 2008 (26,5% superior à renda média). Os jovens ocupados que não estudavam registraram renda média familiar per capita era de R$ 492,20 ao mês em 2008 (4% inferior à renda média). Por fim, entre os jovens desempregados que estudavam a renda média familiar per capita era de R$ 486,80 ao mês em 2008 (5,1% inferior à renda média), enquanto para os jovens desempregados que não estudavam a renda média familiar per capita era de R$ 320,20 ao mês em 2008 (37,6% inferior à renda média). Neste quadro, parece não haver dúvidas que a trajetória educacional do segmento de 16 a 24 anos de idade encontra-se diretamente vinculada ao nível de renda. Quanto menor a renda per capita familiar, maior a dificuldade de continuar ativo na educação. Não obstante os avanços necessários em termos de universalização do acesso educacional relativo ao ensino médio e superior, bem como a elevação da qualidade do ensino, há o tema estruturante da desigualdade de renda. Sem resolver isso, os discursos em favor da educação podem continuar sendo apenas retórica, sem efetividade para a totalidade dos jovens brasileiros. (*) Marcio Pochmann é economista e presidente do Ipea. Este artigo é parte integrante da edição 107 da revista Fórum

domingo, 11 de março de 2012

PICHAÇÕES EM ESCOLA COM CUNHO RACISTA

Fernando Knup de São Paulo Brasil de fato Funcionários, pais e alunos da Escola Municipal de Educação Infantil Guia Lopes foram surpreendidos no início deste mês por novas pichações de cunho racista e neonazista. A escola, localizada no bairro do Limão, na zona norte da cidade de São Paulo, já havia sido vítima de pichações no final do ano passado. No mesmo dia 3, a escola realizou uma das rodas de conversa temáticas bimestrais entre corpo docente e pais para discutir temas relevantes ao convívio das crianças quando a temática do racismo e da diversidade foram novamente colocados em pauta com o título “Encontro contra os desencontros”. A roda contou com a participação do Movimento AnarcoPunk, grupo que realiza atividades relacionadas ao respeito às diferenças e em memória às vítimas da intolerância. Apesar do ato de vandalismo, a atividade foi realizada normalmente e com grande participação de pais de alunos. A diretora da escola, Cibele Racy, afirmou que a escola, que possui alunos entre três e cinco anos, é alvo dessas práticas graças ao trabalho de levantar temas relevantes para alunos e pais, entre eles as relações étnicas e raciais. “A escola fica em evidência por essas coisas (as pichações), mas na verdade o problema é que o trabalho que nós realizamos aqui é muito sério. Esse ano nós vamos ampliar nosso foco de trabalho, queremos um trabalho multirracial, porque temos alunos filhos de imigrantes bolivianos, orientais, negros, brancos. Não fazemos apologia ao negro, trabalhamos a diversidade cultural. As crianças e os pais tem um carinho pela escola e é isso que nós queremos resgatar, essa relação da família com os professores e com a comunidade, queremos resgatar esse lado.” Johnny, um dos representantes do grupo AnarcoPunk que apresentou um vídeo que utilizava a agressão contra a escola como gancho para a discussão sobre respeito e tolerância, explicou que essas pichações são realizadas por skinheads, que se juntam em grupos para praticar atos de violência pela cidade. “Essas pichações foram feitas por skinheads que costumam usar símbolos como a suástica nazista, a cruz celta. Ao resgatar o ensinamento da cultura negra e da diversidade, batendo nessa tecla contra o preconceito, automaticamente esses grupos racistas intolerantes se sentem incomodados. A gente vê o ato covarde quando uma escola onde só tem criança é alvo desses grupos, achando que estão fazendo terrorismo ao pichar. Aqui só tem crianças, a maioria dos professores são mulheres, tem funcionários negros. Nós acreditamos em um mundo onde caibam vários mundos, que tenha respeito às diferenças, que seja contra o preconceito.” "Orgulho Branco" No próprio bairro é fácil encontrar outras pichações deixando claro que existem grupos radicais no local. Na chegada a escola um morador removia uma suástica pichada na porta de sua mecânica, seguida dos dizeres “Orgulho Branco”, “apareceu essa madrugada, a gente apaga porque senão podem pensar que fui eu que fiz”, dizia o responsável pela mecânica que não quis se identificar por medo de represálias. Segundo Johnny, “esses grupos estão organizados, por isso, tornou-se frequente todo fim de semana ataques contra negros, moradores de rua, homossexuais, rappers, imigrantes. Não é somente uma ganguezinha, eles tem apoio de políticos, eles tem costas quentes, são filhos de pais ricos, que tem dinheiro para advogado, por isso, eles agem, por saber que a justiça não vai depor contra eles, eles fazem porque sabem que vão ficar impunes. Hoje eles picham, amanhã esfaqueiam um professor, matam a diretora. A mídia coloca como briga de gangue, temos que abrir o olho pra essas coisas, e onde localizarmos esses grupos denunciarmos, informar aos amigos, para não corrermos o risco de sermos as próximas vítimas”. Outros moradores também informaram que um membro de grupos intolerantes mora na rua ao lado da escola. “Ele fica com os amigos andando de carro pra lá e pra cá, essa semana mesmo estava ofendendo um senhor aqui da rua, em um carro junto com amigos.” Por isso, os moradores ainda sofrem com medo de ameaças, “eu não falo nada, eles podem agredir meus pais, são muito covardes, temos medo”. Questionada sobre como o trabalho da escola é prejudicado com essas ameaças, a diretora esclarece que essas ações acabam aumentando a aceitação dos pais de alunos que entendem a importância do trabalho do corpo docente. “Apesar desse tipo de situação, agente só se fortalece” , diz ela. Pichações antigas A escola já havia sido vítima de outras pichações de caráter racista no dia 16 de novembro de 2011. Uma das pichações deixava clara a oposição às práticas de ensino da escola com a frase ‘vamos cuidar do futuro de nossas crianças brancas’ acompanhada de uma suástica, um dos principais símbolos utilizados pelos adeptos da ideologia nazista. Após as pichações, a escola organizou um mutirão de grafitagem no muro, permitindo que as crianças, moradores do bairro e grupos que discutem o estímulo à diversidade e o combate a intolerância interagissem e dessem o colorido às paredes da escola. Em tempo, a escola ainda não teve resposta sobre o inquérito realizado pela polícia civil após as pichações realizadas no ano passado. “A gente ficaria sabendo, além do 40º (DP), eu fui na Decradi e nada foi passado pra gente sobre nenhuma novidade do caso.” Questionada, a Secretaria de Segurança Pública informou também não ter nenhuma novidade sobre o inquérito. Um vídeo produzido pelo grupo AnarcoPunk que se solidarizou com os funcionários da escola pode ser visto neste link: ( http://www.youtube.com/watch?v=IO5KS_nDOyE&list=UUcmGd-_0bqvS1yHOvNh27Vg... )

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O analfabetismo juvenil e o ensino superior

Escrito por Otaviano Helene Correio da Cidadania Para saber que nível educacional é o necessário para cada um e para a sociedade como um todo, em um determinado momento histórico e em um determinado país, há que se responder a algumas perguntas. O nível educacional mínimo oferecido para a população permite, a todos, a plena conquista dos direitos de cidadania? Os quadros profissionais formados respondem às necessidades do país? O sistema educacional é um instrumento para superar as desigualdades, objetivo especialmente relevante para países com altos níveis de desigualdades como o nosso, ou está, ao contrário, sendo usado para mantê-las? A evolução da educação formal ao longo do tempo é adequada? O nível educacional médio da população é suficiente para garantir a soberania nacional frente às demais nações? Vamos examinar esse último ponto, em especial, vamos ver como nos comparamos com os demais países. Não vamos nos estender em análises muito detalhadas. Vamos examinar apenas dois indicadores que revelam o desempenho recente nos dois extremos do sistema educacional, a alfabetização juvenil e a taxa de matrícula no ensino superior. Esses dois indicadores são suficientes para uma avaliação ampla, embora não detalhada, do nosso sistema educacional. Afinal, a alfabetização juvenil reflete o desempenho do sistema educacional em períodos recentes e a taxa de inclusão no ensino superior reflete tanto as possibilidades do país no que diz respeito à formação de uma força de trabalho mais sofisticada como as possibilidades de progressão de um estudante ao longo do sistema educacional. Vamos, também, nos restringir aos países da América do Sul, participantes da mesma realidade geopolítica. Na tabela aparecem as taxas de alfabetização juvenil e as taxas brutas de matrícula (1) no ensino superior dos países sul-americanos segundo dados sistematizados e divulgados pela Unesco. País Taxa de alfabetização de jovens entre 15 e 24 anos. Ano de referência: 2009 (%) Taxa bruta de matrícula no ensino superior (graduação e pós‑graduação). Ano de referência: 2010 (%) Argentina 99,2 71 Bolívia 99,1b 39a Brasil 97,8b 36 Chile 98,9 59 Colômbia 97,9 37 Equador 96,8 40b Guiana ... 11 Paraguai 98,8a 37 Peru 97,4a 35c Suriname 99,4b 12d Uruguai 99,0b 63 Venezuela 98,4a 78 Fonte dos dados: Unesco Institute for Statistics, consultada em fevereiro/2012. a: 2007; b: 2008; c: 2006; d: 2002; ... não há dados recentes disponíveis. No que diz respeito à alfabetização juvenil, o Brasil ocupa a terceira pior posição entre os países sul-americanos, apenas melhor do que o Peru e o Equador. Devemos observar que esses dois países apresentam realidades populacionais bem diferentes das nossas: entre 20% (Equador) e 45% (Peru) da população desses países falam línguas diferentes, têm hábitos, valores, tradições culturais e atividades econômicas também bastante diferentes daqueles da maioria da população e se concentram, ainda, em regiões específicas do país. Assim, não apenas escolarizá‑los e alfabetizá‑los é mais difícil, como as conseqüências do analfabetismo (como as possibilidades de inserção econômica e social no meio em que vivem) são menos graves (2). O Brasil não tem essas características: nossa população, embora seja uma composição de diferentes povos originários de várias partes do Mundo, com a exceção de cerca de 800 mil indígenas (0,4 % da população e parte deles integrada ao restante da população), fala a mesma língua e tem basicamente os mesmos valores culturais, ou pelo menos não tão diversificados como as populações daqueles outros dois países. Além disso, a porcentagem da população urbana é bem maior no Brasil (82%) do que no Equador (63%) e no Peru (73%) (3), fator que certamente facilita a escolarização. Como praticamente a totalidade da população brasileira está inserida na mesma realidade de produção e relações econômicas, o analfabetismo juvenil entre nós tem conseqüências sociais muito graves: dos jovens analfabetos entre 15 e 24 anos, muitos são analfabetos urbanos, que disputam posições de trabalho com o restante da população, e todos precisam interpretar a mesma realidade. Quanto aos indicadores quantitativos do ensino superior, estamos em melhor posição, no que diz respeito às taxas de matrícula e entre os países sul‑americanos, apenas do que Guiana, Suriname e Peru. Vale lembrar que Guiana (antiga Guiana Inglesa) e Suriname (antiga Guiana Holandesa) são países cujas independências ocorreram apenas no final do século XX, carregando, assim, uma carga histórica pesada do mesmo tipo daquela carregada pelas ex‑colônias africanas recentemente independentes e que estão entre os países mais pobres do mundo (4). Ainda como comparação, nossa taxa de matrícula no ensino superior, de 36%, é cerca da metade daquelas encontradas na Argentina (71%) ou na Venezuela (78%). Além disso, devemos observar, esses dois últimos países apresentam taxas de privatização do ensino superior menores do que as nossas. Esse breve balanço mostra que, mesmo comparado com países que ocupam o mesmo espaço geopolítico que nós, nossa situação é bastante preocupante. Evidentemente, uma análise apenas quantitativa é insuficiente para uma visão ampla do problema. Entretanto, os dois índices analisados mostram a dimensão dos problemas que teremos que enfrentar para construir uma real democracia. Notas: (1) A taxa bruta de matrícula é a relação entre a população matriculada em um determinado nível educacional, independentemente da idade, e a totalidade da população na idade correspondente àquele nível educacional. (2) Essas observações não pretendem, evidentemente, minimizar as conseqüências do analfabetismo, mas, sim, estabelecer parâmetros referenciais que permitam comparar países diferentes. (3) http://www.nationmaster.com/, consultada em fevereiro de 2012 (4) A taxa de alfabetização juvenil do Suriname, relativamente alta, sugere que esse país pode estar enfrentando seu atraso educacional a partir dos níveis iniciais. Otaviano Helene, professor no Instituto de Física da USP, foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

AS CHAGAS DO PINHEIRINHO

As chagas do Pinheirinho Escrito por Venâncio de Oliveira Terça, 07 de Fevereiro de 2012 A barbárie ocorrida em São José dos Campos, no Pinheirinho, de despejo de 9.000 pessoas, está difícil de digerir. A violação em massa de direitos humanos, à luz do dia, até mesmo o impedimento de cobertura jornalística, são fatos que impressionam. A truculência, o cinismo e o desrespeito aos direitos sociais da constituição, em nome da defesa da propriedade – duvidosa – de um especulador, devem servir de ensinamento para a esquerda no porvir da luta social. Não apenas para garantir o direito destas famílias despejadas, mas como análise de possíveis cenários da luta de classes. É necessário inserir o contexto econômico deste despejo para enquadrar seus possíveis determinantes. Aqui, os responsáveis pela barbárie vão se ampliando. O governo federal não é apenas omisso por não tomar uma atitude efetiva em apoio às famílias do Pinheirinho – diferente da tímida crítica pública que fizeram -, mas também responsável por criar um cenário econômico que piora o quadro de déficit habitacional. O neodesenvolvimentismo urbano apenas encobre as contradições históricas brasileiras, sobre a capa de crescimento econômico de grandes obras. Mas, não resolve o eixo essencial de exclusão e desigualdade brasileira: o grande déficit habitacional, a especulação imobiliária, os monopólios territoriais e a apropriação do fundo público pelo capital para gerar rendas para a oligarquia urbana (especuladores, incorporadores imobiliários, empresários da construção civil e, em menor medida, classe média proprietária), às custas do trabalhador (morador e construtor). O governo fez diversas obras com o discurso de geração de habitação com infra-estrutura para todos, desde o PAC até o plano Minha Casa Minha Vida. Também é propalado que a Copa do Mundo vai estimular investimentos, gerando desenvolvimento social e econômico para o país. Além de tudo isto, existe geração de emprego e renda na construção civil, que por sua vez estimula a economia, conjugada com os outros programas de assistência social e de ampliação de crédito. Aqui, estaríamos no círculo virtuoso: o governo investe, as pessoas consomem e os empresários contratam e ofertam bens e serviços. Esta fórmula rendeu altas taxas de aprovação para o governo Lula e a eleição de Dilma. Enfim, estamos crescendo, coisa que se viu muito pouco na época anterior. A grande questão são os termos deste crescimento, baseado no modelo anterior com uma política diferente. De fato, o governo foi mais atuante que o anterior, porém, não se comprometeu a combater as contra-reformas: liberalização de mercados de trabalho, financeiro e privatizações, e o velho monopólio da terra urbana conjugado com especulação imobiliária. Usufruiu deste mesmo modelo: todas as propostas de política contavam com o capital como parceiro principal. Para a habitação, principalmente, o modus operandi foi: liberação de recursos para o capital imobiliário especular. Conseqüência, todas as obras que vêm sendo propaladas como estímulo de progresso estão piorando o quadro de precarização das condições de moradia da população. O plano Minha Casa Minha Vida ajudou a inflacionar o preço da casa e dos aluguéis, somado com o PAC e com as expectativas da Copa do Mundo. Aqui, voltamos para o cenário que desmascara a propaganda, bem como aponta desenlaces possíveis: o Pinheirinho evidencia a crise social e política que se mira no horizonte do cenário nacional. Crescimento do mercado imobiliário implica acirramento das contradições urbanas e políticas, isto é, a guerra de classes rompendo com o pacto proposto pelo PT. O Pinheirinho representava uma zona conquistada pela luta: ocupação de trabalhadores de um terreno (massa falida de um especulador) que deveria ser objeto de reforma urbana. Para o mercado aquilo era um objeto de valorização, portanto, uma invasão. O despejo, ao mesmo tempo, que libera a área para ser valorizada, cria uma nova demanda social. Aqui, novo território se faz propriedade privada e potencial de lucro. Mas também estimula o governo a liberar fundo público para o capital se apropriar, qual seja, recursos para construção de moradia social. Assim, a política econômica alimentou a voracidade do capital por mais propriedade para vender, gerar renda e lucro. Bem como fomenta a saída mais repressora e conservadora para uma questão social. Aqui o PSDB se renova, numa linha mais truculenta. As táticas e ações do governo Alckmin são um tubo de ensaio para uma resposta à direita a uma crise social futura. Com sua política de conciliação, o PT abre espaço para o óbvio de uma luta de classes: não existe pacto que se sustente de um lado o capital que quer explorar todo espaço possível, e de outro a classe trabalhadora, que gera o lucro deste capital, necessita viver e morar. Quem está com quem? No momento que o governo Dilma lava as mãos, abre espaço para o PSDB ditar as regras do capital, qual seja, tirania, morte, repressão e exclusão social. Aqui a direita ensaia uma radicalização de sua política de manter a ordem. A esquerda tem tarefas gigantes pela frente. A união de toda a esquerda militante em torno do Pinheiro foi ímpar. Devemos ir além, conseguir uma plataforma de lutas e um programa que consiga resolver as contradições reais da classe trabalhadora. É necessário superar a dispersão de forças, conseguir criar espaços que rompam com o consenso de classes. A maquiagem lulista é frágil e quando cair o cão raivoso que ela segurou vai aparecer com mais ódio, qual seja, a burguesia brasileira. A esquerda deve se reconstruir, romper com o caminho do meio, para barrar a barbárie que se esconde no final do túnel. Venâncio Guerrero é economista e militante do Tribunal Popular da Terra.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

DESOCUPAÇÃO DO PINHEIRINHO

DESOCULPAÇÃO DO PINHEIRINHO “A policia foi muito competente e me deu muito orgulho”
“A policia ágil com competência e com honra” Palavras da Juíza da 6° vara Civil de São José dos Campos, Márcia Loureiro responsável pela ordem de reintegração de posse da área do Pinheirinho em entrevista para a TV O Vale. “LEVANTA VAGABUNDO!” Foi desta forma que os moradores do Pinheirinho foram acordados na madrugada do dia 22 de janeiro de 2012, com a ordem de saírem de suas casas sem poder retirar nada do pouco que eles tinham conseguido, através dos anos com muito suor e trabalho. Com a clara violação dos direitos humanos, o processo de reintegração de posse do Pinheirinho em favor a especulação imobiliária e em favor do sonegador de impostos, o proibido de entrar em 27 países, o investidor sonegador Naji Nahas; a polícia Militar de SP despreparada e violenta quando se trata de trabalhadores, dizendo-se cumprindo ordens da Juíza MÁRCIA LOUREIRO que deu os parabéns a policia militar de SP pelo seu belíssimo trabalho e que cumprirá ordem do governador ALCKIMIM, que deu ordem expressas de derrubar as casas assim que retirassem os moradores o mais rápido possível, que passou a ser a tática do PSDB, DESOCUPAÇÃO COM DEMOLIÇÃO, não dando chances aos moradores de voltarem para as suas casas, e no caso do Pinheirinho o mais grave, não foi dado à chance dos moradores retirassem seus pertences. Vimos pelos telejornais os tratores demolindo as casas com os móveis ainda dentro delas, deu pra ver tudo sendo destruídos pelos tratores geladeiras, fogões e as camas nada pode ser retirado, nem mesmo o sonho de ter uma casa para poder criar com dignidade seus filhos; até mesmo os animais de estimação que estavam ainda presos e passando fome, foram deixados para trás, pois a policia impedia que os moradores entrassem no terreno. ALCKMIN E CURY os dois do PSDB junto com a juíza Márcia Loureiro ordenaram a desocupação com dois mil homens da policia militar de São José dos Campos para desalojar nove mil moradores que estavam na área ocupada desde 2004. Os moradores foram surpreendidos durante a madrugada com um aparato de guerra, o Pinheirinho estava cercado com a cavalaria, cães e muitos policiais com sangue nos olhos, os moradores sem chance de defesa ficam acuados e começa a humilhação, LEVANTA VAGABUNDO, era o grito de guerra dos policiais. Moradores sem defesa e com a alma cheia de esperança por justiça e fé a usavam como armas contra todo aparato militar ali presente, tudo em vão... justiça não caminha junto com os trabalhadores, só resta à fé. O que aconteceu no Pinheirinho pode acontecer em outras ocupações, como foi o que aconteceu no Moinho, com a desculpa de falta de segurança no local o prefeito Kassab demoliu o restante das moradias não deixando os moradores voltarem para seus lares. Esta na hora de nós moradores agirmos ou os próximos seremos nós. TODOS SOMOS PINHEIRINHO

DEZ MENTIRAS QUE CERCAM O PINHEIRINHO

Por HUGO ALBUQUERQUE FAZENDO MEDIA Com a tragédia ainda em curso, e a quantidade colossal de sofismas e boatos propositalmente espalhados acerca do Pinheirinho, me dei ao trabalho de selecionar as dez piores mentiras – no sentido de superstição consciente e oportunamente utilizadas pelo Poder – que estão a pairar por aí sobre o tema. Vamos lá: 1. “Não houve violações, a reintegração de posse foi pacífica” Eis a pior e mais primária de todas. Vídeos aos montes, fotos aos milhares, além de relatos emocionados de testemunhas oculares - como o nosso Tsavkko - e de moradores -dados, inclusive, para a imprensa internacional - contradizem isso. A polícia não veio para brincar, com sua tropa de choque, suas balas de borracha e sua sede por violência. Atacaram uma comunidade formada por famílias – seus velhos, suas crianças, pessoas com necessidades especiais – e quem ficou no meio do caminho apanhou. Sobre eventuais distorções da nossa imprensa, convido à leitura do que pensa sobre isso o Guardian, um dos principais jornais do mundo. 2. “A culpa é dos moradores, por serem invasores e/ou por não terem negociado” É a tese do varão da república (do café com leite) Elio Gaspari, devidamente rebatida pelo nosso João Telésforo. Acrescentamos ainda que o Brasil possui 22 milhões de vítimas do chamado “deficit habitacional” – o eufemismo contábil que expressa a quantidade daqueles que foram largados para morrer ao relento -, o Brasil possui uma Constituição que fala em função social da propriedade privada e em dignidade da pessoa humana, o Brasil possui uma jurisprudência que não aceita a inércia da administração pública como desculpa. para não realização de políticas públicas. Outra, não estar nem aí para um contingente de milhares de pessoas – só no caso do Pinheirinho – é uma decisão política sua, portanto, assuma o risco dela, mas esperar que essa gente simplesmente tenha de sentar e esperar a morte chegar, é pedir de mais – ou mesmo aceitar um cheque qualquer e enfie o rabo entre as pernas do lugar onde ela estão estabelecidos, só para, no fim das contas, realizar o fetiche dos credores da massa falida de um mega-especulador. 3. “Foi um processo duro, mas cumpriu-se a letra da lei” Nem isso. Na manhã de domingo, quando ocorreu a invasão, havia um conflito de competência entre a Justiça Estadual e a Justiça Federal, portanto não havia ordem judicial que autorizasse realmente qualquer reintegração de posse. Mesmo se houvesse, uma ordem judicial não equivale a uma carta branca da polícia para fazer nada, tampouco ignorar os direitos ou as garantias daqueles cidadãos asseguradas pelas Constituição. 4. “Os moradores estão sendo atendidos devidamente” Os moradores do Pinheirinho, depois de perderem suas casas, estão amontoados em igrejas, ginásios ou quetais. Eles estão ao relento e identificados com uma pulseira azul – por que numa estrela azul logo de uma vez? 5. “Os policiais só cumpriram ordens” Opa, tudo bem que militares obedecem ordens, mas isso não significa que, numa democracia, um oficial deva acatar irresponsavelmente uma ordem qualquer e executá-la da maneira que bem entende - com suscitou a secretária de justiça de São Paulo Eloisa Arruda -, do contrário, lhes seria autorizado atentar contra a ordem (“democrática”), o que seria uma hipótese absurda. É evidente que os maiores responsáveis por essa hecatombe são os senhores Geraldo Alckmin e Eduardo Cury - respectivamente governador do estado e prefeito municipal de São José dos Campos -, mas os oficiais que lideraram a missão tem sua parcela de responsabilidade nessa história sim. 6. “O Pinheirinho é uma espécie de Cracolândia” “Só se for no quesito da especulação imobiliária sobrepondo-se ao direito e à dignidade das classes pobres” como diria meu amigo joseense Rodrigo dos Reis. De resto, essa analogia - como foi utilizada pela Rede Globo - só duplica a perversão verificada no apoio à política de “dor e sofrimento”, aplicada na região do centro de São Paulo chamada “Cracolândia” – um grave problema de saúde pública e de moradia, tratado à base de cacetete. 7. “O governo federal é culpado por ter politizado a situação” Como testemunhamos na nota soltada pelo PSDB para “responder” o governo federal. Bom, nem vou perguntar como alguém poderia ter politizado uma situação que é política por natureza, mas como seria possível despolitiza-la. Ainda, é curioso como se responda ao quase silêncio do governo federal culpando-o por uma ação violenta que foi executada por dois governos seus, o estadual de São Paulo e o municipal de São José dos Campos. De novo, chuto o balde aqui: faça um, dois, um milhão de pinheirinhos, mas pelo menos assuma o que fez e não se ponha como vítima, as vítimas são os desabrigados. 8. “Os moradores do Pinheirinho são envolvidos com movimentos sociais radicais” Membros do PSDB, como o pré-candidato paulistano Andrea Matarazzo, pensam o mesmo do correligionário Geraldo Alckmin, nem por isso alguém razoável defende que o governador seja arrancado à força do que quer que seja. No mais, o governador Alckmin ou os próceres da massa falida do Nahas na imprensa, deviam saber que vivemos numa democracia e as pessoas têm liberdade para se filiar ao grupo pacífico que bem entendem – nem na hipótese absurda de todos os moradores do Pinheirinho terem relação com o PSTU (que é como dizer que todos os moradores do bairro de Alckmin têm ligação com, p.ex. a opus dei), é fato que aquele partido jamais usou de força ou conluios no judiciário para desalojar um bairro inteiro, logo, quem é radical mesmo? 9. “O governo federal não podia ter feito, nem pode fazer, nada” Podia sim, tanto que estava negociando uma saída pacífica, até que veio a invasão no domingo, uma boa dose de paralisia, uma comemoração de 25 de março com tucanos de alta plumagem e uma condenação vazia no recente fórum social mundial. Dizer que o Pinheirinho é Barbárie, até eu digo, Presidenta, agora mandar hospitais de campanha do exército fornecer ajuda humanitária aos milhares de desabrigados, nem todo mundo pode – e mesmo vale para a construção de moradias dignas para eles no curto prazo. Importante: não estou nivelando tucanos a petistas, esse caso deixa claro que os primeiros não têm coragem de assumir o que fazem, enquanto os segundos não têm coragem de fazer aquilo que assumem – são papéis inteiramente diferentes. 10. “O Pinheirinho é uma catástrofe, estamos todos derrotados, não há nada o que fazer contra essa marcha invencível”
Toda marcha desse tipo, em seu interior, admite uma Leningrado – e eu não estou chamando tucanos de fascistas em um sentido histórico não, afinal, aqueles tinham coragem moral de assumir o que faziam, isso foi só uma metáfora que guinadas reacionárias, por sua própria natureza, trazem consigo a possibilidade de sua derrota. No demais, não existe espaço para choradeira como colocou com precisão o Bruno Cava pelo papel que o Pinheirinho está cumprindo. Digo mais, repetindo o que já digo aqui o tempo todo: a favela é o locus definitivo de resistência daqueles que foram largados para morrer ao relento, é processo de luta, portanto, sua própria existência – e sua re-existência – é positividade pura. O antropofágico Pinheirinho, mais ainda. Derrota é a resignação, é sentar-se e aceitar morrer, nada disso acontece.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Náufrago da Utopia: TERRORISMO NA USP: TENTARAM MANDAR O SINTUSP PELOS...

Náufrago da Utopia: TERRORISMO NA USP: TENTARAM MANDAR O SINTUSP PELOS...: J á não é mais uma escalada autoritária o que se vê na Universidade de São Paulo: agora se trata de um processo de fascistização plenament...

Náufrago da Utopia: O QUE O PT ESPERA PARA REAGIR À FASCISTIZAÇÃO EM S...

Náufrago da Utopia: O QUE O PT ESPERA PARA REAGIR À FASCISTIZAÇÃO EM S...: P assando por cima de uma decisão da Justiça ( * ) e antecipando-se à solução negociada que estava bem encaminhada e possibilitaria um desfe...

Náufrago da Utopia: GIANNAZI: BLITZKRIEG EM PINHEIRINHO É "GRANDE TRAG...

Náufrago da Utopia: GIANNAZI: BLITZKRIEG EM PINHEIRINHO É "GRANDE TRAG...: O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL-SP) vai pedir ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Comissão de Direitos Humanos da OEA "uma ...

MARCELA MOREIRA: #Pinheirinho. De Guilherme Boulos, dirigente do MT...

MARCELA MOREIRA: #Pinheirinho. De Guilherme Boulos, dirigente do MT...: #Pinheirinho. De Guilherme Boulos, dirigente do MTST: "Caros companheiros. Neste momento estamos realizando um ato no palácio do governo de ...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A lista dos acusados de tortura

A lista dos acusados de tortura http://www.revistadehistoria.com.br/secao/na-rhbn/a-lista-de-prestes Dos papéis de Luiz Carlos Prestes consta um relatório do Comitê de Solidariedade aos Revolucionários do Brasil, de 1976. O documento traz uma lista de 233 torturadores feita por presos políticos em 1975 Alice Melo e Vivi Fernandes de Lima 29/12/2011 O acervo pessoal de Luiz Carlos Prestes, que será doado por sua viúva, Maria Prestes, ao Arquivo Nacional, traz entre cartas trocadas com os filhos e a esposa, fotografias e documentos que mostram diferentes momentos da história política do Brasil. Entre eles, o “Relatório da IV Reunião Anual do Comitê de Solidariedade aos Revolucionários do Brasil”, datado de fevereiro de 1976. Neste período Prestes vivia exilado na União Soviética e, como o documento não revela quem são os membros deste Comitê, não se pode afirmar que o líder comunista tenha participado da elaboração do relatório. De qualquer forma, é curioso encontrá-lo entre seus papéis pessoais. O documento é dividido em seis capítulos, entre eles estão “Mais desaparecidos”, “Novamente a farsa dos suicídios”, “O braço clandestino da repressão” e “Identificação dos torturadores”, que traz uma lista de 233 militares e policiais acusados de cometer tortura durante a ditadura militar. Esta lista foi elaborada em 1975, por 35 presos políticos que cumpriam pena no Presídio da Justiça Militar Federal. Na ocasião, o documento foi enviado ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Caio Mário da Silva Pereira, mas só foi noticiado pela primeira vez em junho de 1978, no semanário alternativo “Em Tempo”. Segundo o periódico, “na época em que foi escrito, o documento não teve grandes repercussões, apenas alguns jornais resumiram a descrição dos métodos de tortura”. O Major de Infantaria do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra é o primeiro da lista de torturadores, segundo o relatório. A Revista de História tentou ouvi-lo, mas segundo sua esposa, Joseita Ustra, ele foi orientado pelo advogado a não dar entrevista. “Tudo que ele tinha pra dizer está no livro dele”, diz ela, referindo-se à publicação “A verdade sufocada: a história que a esquerda não quer que o Brasil conheça” (Editora Ser, 2010). A repercussão da lista em 1978 A Revista de Históriaconversou com um jornalista que integrava a equipe do “Em Tempo”. Segundo a fonte – que prefere não ser identificada – a redação tinha um documento datilografado por presos políticos. Era uma “xerox” muito ruim do texto, reproduzido em uma página A4. Buscando obter mais informações sobre o documento, os jornalistas chegaram ao livro “Presos políticos brasileiros: acerca da repressão fascista no Brasil” (Edições Maria Da Fonte, 1976, Portugal). Depois desta lista, o “Em Tempo” publicou mais duas relações de militares acusados de cometerem tortura. Na época, a tiragem do semanário era de 20 mil exemplares, rapidamente esgotada nas bancas, batendo o recorde do jornal. A publicação fechou o tempo para o jornal, que sofreu naquela semana dois atentados. A sucursal de Curitiba foi invadida e pichada. Na parede, os vândalos deixaram a marca em spray “Os 233”. O outro atentado aconteceu na sucursal de Belo Horizonte: colocaram ácido nas máquinas de escrever. Na capital mineira, a repercussão foi maior porque os militantes de esquerda saíram em protesto a favor do jornal. O próprio “Em Tempo” publicou esses dois casos, com fotos. Os autores da lista As assinaturas dos 35 que assumem a autoria também foram publicadas no “Em Tempo”. Hamilton Pereira da Silva é um deles. O poeta – conhecido pelo pseudônimo Pedro Tierra e hoje Secretário de Cultura do Distrito Federal – fez questão de conversar com a Revista de História sobre o assunto, afirmando que a lista não foi fechada em conjunto. Os nomes e funções dos torturadores do documento teriam sido informados pelas vítimas da violência militar em momentos distintos de suas vidas durante o cárcere. “Essas informações saíam dos presídios por meio de advogados ou familiares. A esquerda brasileira, neste período, não era unida, era formada por vários grupos isolados, que não tinham muito contato entre si por causa da repressão”, conta Tierra. “Quando a lista foi publicada no ‘Em Tempo’, eu já estava em liberdade. Sei que colaborei com dois nomes: o major, hoje reformado, Carlos Alberto Brilhante Ustra, e o capitão Sérgio dos Santos Lima – que torturava os presos enquanto ouvia música clássica”. Hamilton lembra ainda que, após a publicação da lista no periódico, a direita reagiu violentamente realizando ataques a bomba em bancas de jornal e até uma bomba na OAB, além de ameaças à sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em 1985, já em tempos de abertura política, a equipe do projeto Brasil: Nunca mais divulgou uma lista de 444 nomes ou codinomes de acusados por presos políticos de serem torturadores. Organizado pela Arquidiocese de São Paulo, o trabalho se baseou em uma pesquisa feita em mais de 600 processos dos arquivos do Superior Tribunal Militar de 1964 a 1979. Os documentos estão digitalizados e disponíveis no site do Grupo Tortura Nunca Mais. Entre os autores da lista de acusados de tortura feita em 1975, além de Hamilton Pereira da Silva, estão outros ex-presos políticos que também assumem cargos públicos, como José Genoino Neto, ex-presidente do PT e assessor do Ministério da Defesa, e Paulo Vanucchi, ex-ministro dos Direitos Humanos e criador da comissão da verdade. Os outros autores da lista são: Alberto Henrique Becker, Altino Souza Dantas Júnior, André Ota, Antonio André Camargo Guerra, Antonio Neto Barbosa, Antonio Pinheiro Salles, Artur Machado Scavone, Ariston Oliveira Lucena, Aton Fon Filho, Carlos Victor Alves Delamonica, Celso Antunes Horta, César Augusto Teles, Diógenes Sobrosa, Elio Cabral de Souza, Fabio Oascar Marenco dos Santos, Francisco Carlos de Andrade, Francisco Gomes da Silva, Gilberto Berloque, Gilney Amorim Viana,Gregório Mendonça, Jair Borin, Jesus Paredes Soto, José Carlos Giannini, Luiz Vergatti, Manoel Cyrillo de Oliveira Netto, Manoel Porfírio de Souza, Nei Jansen Ferreira Jr., Osvaldo Rocha, Ozeas Duarte de Oliveira, Paulo Radke, Pedro Rocha Filho, Reinaldo Moreno Filho e Roberto Ribeiro Martins.