Mais um ano, mais um vestibular da FUVEST e novos alunos, escolhidos dentro de uma seleção rigorosíssima, adentram os muros da universidade com as suas expectativas e seus sonhos.
Lá dentro se depararão com todos os dilemas e vicissitudes de uma universidade que se transforma a cada dia, mas que também convive com antigos dilemas, alguns dos quais ela não necessariamente os vê como de sua inteira responsabilidade.
Entidade de produção científica de alto rigor, invejada pelas melhores universidades do país, pode se encontrar em uma situação difícil quando chamada pela sociedade civil a responder algumas perguntas, tais como: o porquê de seu elitismo e a distância que a separa da sociedade.
A primeira pergunta pode ser mais facilmente respondida e é por ela que creio que deva começar. Acesso difícil através de um rigoroso vestibular, aliada às carências do ensino básico nas escolas públicas, é a fórmula mágica para a elitização.
Fora isso, devemos também lembrar uma questão fundamental da hegemonia da economia de mercado: o tempo. Esse tempo infalível e cronometrável não dá sossego àqueles que precisam de tempo para estudar quando o seu tempo está marcado/regulado pela venda de sua única mercadoria, a sua força de trabalho.
Assim, cursos de período integral invariavelmente são excludentes em sua natureza.
Não digo que não devam existir, entretanto, por que não abrir as portas da universidade em horários alternativos, melhor dizendo, no período noturno, proporcionar também cursos que são oferecidos matutina e diurnamente? Ainda que para isso seja necessária uma readequação da grade sob o aspecto de tempo ideal para a conclusão de curso.
Em relação ao distanciamento, creio que várias sejam as distâncias que separam a universidade da sociedade. Vou começar pela mais simples e por aquela que diz respeito à gestão pública fora da universidade: ela não foi concebida geograficamente para fácil acesso, melhor dizendo, para aqueles que não possuem automóvel. Mais um traço elitista? Pode ser, no entanto, o que não é mais possível é pensar numa universidade não inserida na metrópole e que não disponha de transporte coletivo público eficiente para o seu acesso.
A outra distância vem de algo que percebi. Parece haver uma desconexão entre o dia-a-dia do campus e o mundo além de seus muros. A falta de comunicação aumenta essa distância que se traduz numa sensação de impossibilidade de tradução do cotidiano da sociedade.
Por fim, existe o distanciamento da universidade em relação às pessoas que não possuem vínculo direto com ela. O medo, vandalismo, a necessidade desmedida de segurança tornaram-na praticamente um condomínio fechado. E o que é pior: num espaço que deveria ser público em sua essência. O espaço de acesso, ruas, avenidas, deveria estar garantido para que todos pudessem realmente ver o papel que a universidade desempenha no aprimoramento da ciência e na difusão da cultura. Essa seria a melhor estratégia de propaganda que a universidade poderia oferecer para si mesma. Afinal, quanto a isso, ela não tem do que se envergonhar.
Já esta na hora, ou melhor já passou da hora da USP estourar essa bolha que à separa da sociedade, os trabalhadores necessitam ocupar esse espaço que também é nosso, afinal a USP é mantida com os impostos que nós também pagamos.
Sabemos que para ingressar nas universidades públicas necessitamos frequentar um curso pré vestibular, que na sua maioria das vezes os trabalhadores não tem como pagar, invibializando assim o seu ingresso nas universidades, infelizmente é assim, não tem vagas para todos e também não sei se é do interesse da burguesia que haja vagas para todos.
Por isto o Projeto Ipês, disponibiliza um curso pré vestibular possibilitando que os trabalhadores tenham possibilidade de ingressar nas universidades públicas, vamos nos organizar e enfrentar esse problema de frente, tenho certeza que os alunos das escolas públicas tem as mesmas condições de aprendizado, e tendo um incentivo de um cursinho estarão preparados, e no final do ano terão uma boa chance de competir por igual nas universidades , além disso existe o Pro uni que também pode ser uma boa.
Vamos criar vários Cursos Pré vestibulares em todas as comunidades.
"Num país em que jovens envelhecem do lado de fora das cercas e dos muros da universidade, queremos, primeiro, dividir o direito de sonhar com ela. depois, o direito e a responsabilidade de transformá-la"
Paulo Freire
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